É normal que o mundo se preocupe com a instabilidade política e social pela qual passa o oriente médio. A razão é muito obvia, porque o oriente médio e o norte da África produzem mais do que a terceira parte do petróleo mundial.
Os conflitos na Líbia têm reduzido drasticamente a produção de petróleo, entre outros motivos porque os trabalhadores têm fugido do país depois que o ocidente determinou uma zona de exclusão aérea.
Uma redução na produção do petróleo fará com que os preços aumentem exponencialmente, isso elevaria os índices inflacionários e provocaria uma restrição monetária capaz de estrangular qualquer economia.
A boa noticia é que o conflito na Líbia tem reduzido a produção petrolífera mundial em apenas 1%. O mercado petrolífero vive outra realidade, diferente da vivida na crise de petróleo de 1973. Atualmente o mercado petrolífero conta com muitas reservas. Arábia Saudita conta com uma capacidade de produção que poderá facilmente substituir a Líbia e outros pequenos produtores.
A má noticia é que a Arábia Saudita apresenta um perfil social parecido com os países que hoje apresentam instabilidade social e política. Basta dizer que Arábia Saudita tem milhões de jovens sem emprego e sem nenhuma perspectiva de melhora. É muito perigoso que a instabilidade política e social se traduza em conflitos, levantes, enfrentamentos e até em guerra civil.
A Arábia Saudita não terá a capacidade para atender o crescimento da economia mundial porque a demanda pelo petróleo cresce a uma velocidade muito maior do que os incrementos na oferta. Contudo, é bom considerar que a economia mundial atualmente é menos vulnerável a um aumento de petróleo do que no passado.
Economia menos vulnerável não significa que não está isenta de sofrer alguns revezes econômico-financeiros. O petróleo mais caro, por exemplo, implicaria numa maior transferência de renda para os produtores e como estes últimos possuem uma maior propensão a poupar gera-se uma queda na demanda global.
Se a economia mundial cresce atualmente a uma taxa de 4,5% o preço de petróleo teria que subir acima de $ 150 dólares por barril ou mais, porque um aumento menor teria implicações no crescimento e aumentaria os índices inflacionários.
Nos países emergentes como o Brasil, China e Índia um aumento de petróleo aumentaria a inflação manifestada através do aumento do preço dos alimentos que representam ainda uma boa parcela do gasto da população. Muitos governos, de países emergentes e até do oriente médio tem subsidiado o petróleo e os alimentos numa tentativa de aplacar a insatisfação e o descontentamento da população e hoje se encontram em um circulo vicioso; a um aumento do petróleo corresponde uma incerteza política.
Chegou o momento de o mundo reconhecer a sua vulnerabilidade ao petróleo e ao oriente médio e investir maciçamente em outras energias alternativas.