Sofisma, filosoficamente falando pode se definir como um raciocínio válido, mas inconclusivo. O sofisma tem como característica alterar propositadamente a verdade.

Hayek e Friedman foram grandes sofistas, eles foram ganhadores do premio Nobel de economia e tiveram a tarefa de desenvolver um modelo econômico que encantou todos os economistas do mundo. Incluam-me fora disso!

Para começar podemos fazer uma pequena análise sobre a soberania do consumidor. O consumidor é soberano, ou seja, ele é livre para tomar decisões sem interferências de nenhuma natureza. No Neoliberalismo as técnicas de marketing são um instrumento de controle e de persuasão das consciências dos consumidores. Dessa forma a soberania não seria dos consumidores, mas dos produtores. Como fica o sistema de formação de preços?

O neoliberalismo reconhece que os mercados são eficientes. Para fundamentar esse sofisma se entende que para alocar recursos de maneira eficiente se necessita que exista um número ilimitado de vendedores e de compradores, que todos tenham acesso de igual forma à informação e que não exista nenhuma interferência nem de caráter público nem privado. Uma condição essencial é que o intercambio seja feito entre produtos homogêneos. Isto facilita que o mercado chegue ao equilíbrio de forma automática.

Na atualidade ficou demonstrado que estas condições nunca acontecem, porque as economias modernas tendem ao monopólio. Joseph Stiglitz demonstrou que a informação é assimétrica. Hyman Minsky assinalou que os mercados financeiros são altamente instáveis e requerem uma regulação que funcionem à mesma velocidade que as inovações financeiras.

Se no funcionamento do mercado não existe plena liberdade dos consumidores, se os produtores alteram a homogeneidade dos produtos, se a informação captada pelos agentes econômicos se comporta assimetricamente, se as economias modernas tendem ao monopólio é evidente que o mercado não pode funcionar de acordo com os fundamentos da teoria do livre mercado.

 O que concluímos é que a ciência econômica terá que deixar de ter a última palavra e terá que se converter em uma ciência mais humilde.