A luta do boteco da esquina contra o McDonald’s

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As grandes empresas de comida rápida do mundo quando chegam à América Latina enfrentam rivais: padarias, lanchonetes e botecos pé pra – fora, quando se trata de atender o gosto do freguês. Embora a maior rede de comida rápida do mundo, o Mcdonald´s, seja um exemplo de uniformização da produção seguindo uma fórmula global, não podemos elogiar a sua qualidade depois das denúncias feitas pelo filme “Fast Food Nation”. O gigante Mcdonald´s tem se preocupado com a otimização da produção em larga escala descuidando de alguma forma a qualidade.

Mesmo descuidando da qualidade o Mcdonald´s está presente no mundo inteiro com aproximadamente 30000 lojas (75% destas lojas são franquias) e atendendo 52 milhões de pessoas em mais de 100 países, diariamente. Se você pensa que conhece o cardápio do Mcdonald´s, pode estar enganado, confira, (em nível de informação) apenas alguns itens:

INDIA

Na Índia, por exemplo, não existe o Big Mac, porque os indianos não comem carne de vaca, lá existe o Maharaja Mac feito de carne de galinha.

CANADA

No Canadá existe, entre outros, o Mclobster, feito de lagosta.

JAPÃO

O Japão saiu na frente re-inventando o Mcdonald´s, lá encontramos o Ebi-Filet (hambúrguer de camarão); também o Koroke Burger (puré de batata, couve e molho katsu).

ISRAEL

Em Israel os cheeseburger e os produtos lácteos não são servidos porque a lei judaica os proíbe.  Eles têm o McShawarma feito de carne.

NORUEGA

Eles têm o Mclaks feito de grelhados.

HONHG KONG

Em Hong Kong, existe o Rice-Burguers, o hambúrguer é servido no meio de duas fatias de arroz glutinoso em lugar do pão.

URUGUAI

No Uruguai, eles têm a McHuevo, que é um hambúrguer coberto de ovo.

CHILE

No Chile você pode enfeitar o seu Bigmac (ou Mcpollo com guacamole) com pasta de abacate. (não Ketchup).

COSTA RICA

Na Costa Rica você pede um “Gallo Pinto” que é nada mais do que feijão e arroz misturado (casamento).

 Se levarmos em conta os caprichos do freguês verificamos que a própria grandeza do Mcdonald´s o torna deficiente. Na América Latina o Mcdonald´s tem uma concorrência pulverizada com uma estratégia no nível de guerrilha urbana. A concorrência tende a crescer e o gigante está preocupado com relação ao produto personalizado.

O que acontece é que o consumidor globalizado está muito mais exigente e pedindo cada vez mais produtos personalizados. Para o atendente da lanchonete, boteco, ou padaria é indiferente colocar mostarda, cebola ou maionese num hambúrguer, ele atenderá facilmente o pedido.

Um Bigmac normal sairá em um minuto, mas se o cliente quiser um Bigmac sem nenhum ingrediente padrão, seja por implicância, gosto, restrições médicas, isso levará um bom tempo.

A produção da lanchonete, boteco ou padaria é artesanal, cada produto vem sob medida, neste caso é a oferta que se adapta ao mercado. A produção do Mcdonald´s é em série e não atende demandas individuais, está habituada a produzir em massa, neste caso o mercado se ajusta à oferta.

Na atualidade os consumidores procuram produtos cada vez mais personalizados. O fundador do Mcdonald´s Ray Kroc foi um homem visionário, resta saber se os talentosos executivos do Mcdonald´s conseguirão conciliar a produção em massa com a peculiaridade do artesanato, além de ponderar que o setor de comida rápida (informal) converge para o auto-serviço, caso queiram que o Mcdonald´s sobreviva.

 Com licença, vou comer o meu sanduba.

Os sofismas que põem em dúvida a economia

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Sofisma, filosoficamente falando pode se definir como um raciocínio válido, mas inconclusivo. O sofisma tem como característica alterar propositadamente a verdade.

Hayek e Friedman foram grandes sofistas, eles foram ganhadores do premio Nobel de economia e tiveram a tarefa de desenvolver um modelo econômico que encantou todos os economistas do mundo. Incluam-me fora disso!

Para começar podemos fazer uma pequena análise sobre a soberania do consumidor. O consumidor é soberano, ou seja, ele é livre para tomar decisões sem interferências de nenhuma natureza. No Neoliberalismo as técnicas de marketing são um instrumento de controle e de persuasão das consciências dos consumidores. Dessa forma a soberania não seria dos consumidores, mas dos produtores. Como fica o sistema de formação de preços?

O neoliberalismo reconhece que os mercados são eficientes. Para fundamentar esse sofisma se entende que para alocar recursos de maneira eficiente se necessita que exista um número ilimitado de vendedores e de compradores, que todos tenham acesso de igual forma à informação e que não exista nenhuma interferência nem de caráter público nem privado. Uma condição essencial é que o intercambio seja feito entre produtos homogêneos. Isto facilita que o mercado chegue ao equilíbrio de forma automática.

Na atualidade ficou demonstrado que estas condições nunca acontecem, porque as economias modernas tendem ao monopólio. Joseph Stiglitz demonstrou que a informação é assimétrica. Hyman Minsky assinalou que os mercados financeiros são altamente instáveis e requerem uma regulação que funcionem à mesma velocidade que as inovações financeiras.

Se no funcionamento do mercado não existe plena liberdade dos consumidores, se os produtores alteram a homogeneidade dos produtos, se a informação captada pelos agentes econômicos se comporta assimetricamente, se as economias modernas tendem ao monopólio é evidente que o mercado não pode funcionar de acordo com os fundamentos da teoria do livre mercado.

 O que concluímos é que a ciência econômica terá que deixar de ter a última palavra e terá que se converter em uma ciência mais humilde.

O acesso à riqueza, um simples caso de policia

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O desenvolvimento do capitalismo durante os dois últimos séculos acabou por engendrar um processo de decadência irreversível. A própria dinâmica de desenvolvimento do capitalismo criou inúmeras crises que terminarão em uma depredação do próprio capitalismo, sem considerar aqui a degradação ambiental.

O setor empresarial certamente nunca deixou de perseguir o lucro, que é o seu principal objetivo. O governo por sua vez, através da sua política econômica planeja e regula, garantindo a provisão de bens.

Esta provisão do governo, com o tempo, transformou-se em uma ação de cunho social que logo evoluiria para a criação do Estado do bem-estar social. O avanço do capitalismo agravou a capacidade de inclusão através do mercado e minou a capacidade do Estado de bem-estar social.

Veio o Estado viabilizador e menos intervencionista que consolidou a iniciativa privada, esta capaz de garantir o desenvolvimento e a produtividade.

Ao falarmos de acesso à riqueza entendemos que este é propiciado pelo mercado ou pelo governo através das políticas públicas, mas nem o mercado nem o governo tem sido capazes de garantir o acesso à riqueza. Surgem as ONGs, reproduzindo-se geometricamente para poder garantir aquilo que nem o setor privado nem o governo são capazes de aportar.

Concluímos que as formas de obtenção da riqueza são: o emprego ou a caridade. O que surpreende é saber que existe uma indústria paralela denominada “Crime Organizado”, que sempre inicia as suas atividades com assaltos, corrupção, contravenção, comércio ilícito.

Este novo setor é tão organizado que não se pode mais considerá-lo um simples caso de policia, sob pena de seu crescimento deteriorar as bases lançadas nesta sociedade através dos séculos.

 Esta é a verdadeira fase do capitalismo que necessita de reformas para reconstruir uma sociedade onde as condições de vida sejam favoráveis ao desenvolvimento humano.

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