O silêncio sobre a crise dos alimentos incomoda
Março 8, 2009
A crise dos alimentos ainda não acabou apenas foi colocada em segundo plano devido às impactantes noticias sobre a crise financeira mundial.
uma das razões para compreender porque o clamor sobre a crise dos alimentos perdeu a sua força foi a redução do preço do petróleo e dos preços dos alimentos desde a metade do ano 2008.
Quando a crise dos alimentos mostrou a sua face não faltou quem dissesse que a crise era devido a mudanças no comportamento da demanda e logo encontraram dois bodes expiatórios: a China e a índia, mas a fome em ambos os países tem aumentado consideravelmente, apesar do aumento do ingresso de renda para uma parte da população, na verdade, a desigualdade social em ambos os países é assustadora.
Com o passar dos dias o argumento que defendia que variações na oferta dos alimentos eram devido ao aumento do consumo da China e da índia veio por água abaixo. O verdadeiro fator que faz variar bruscamente os alimentos e outras matérias primas é a especulação.
A crise dos alimentos continua e se deve em parte pela dificuldade que existe em ter acesso a eles, já seja porque não há dinheiro para pagar os alimentos ou porque há escassez dos mesmos.
Existem outros fatores que denunciam a existência da crise dos alimentos: crise do cultivo; falta de investimentos públicos para a pesquisa agrícola; o desequilíbrio comercial existente entre países que não tem políticas de subsídio e aqueles que se favorecem dos subsídios do governo; dificuldades no acesso ao credito agrícola; redução do poder aquisitivo na maioria da população dos países em desenvolvimento; concentração de empresas que operam a agricultura mundial e muitas vezes preferem ceder terras para a produção do etanol; secas existentes na China, Argentina, Austrália etc.
A preocupação dos governos ultimamente tem sido salvar os bancos aportando quantias fabulosas de dinheiro que nunca esteve disponível para alimentar as populações. Mais adiante os governos sentiram pressões advindas da escassez dos alimentos e se verão forçados a valorizar as suas moedas para controlar a inflação provocada pela crise dos alimentos.
A China, Rússia, Índia e outros países provavelmente irão vender as suas reservas em moeda estrangeira com a finalidade de valorizar as suas moedas e também para reduzir custos de importações. Certamente que para evitar o aumento interno dos preços dos alimentos muitos países irão vender as suas reservas em moeda estrangeira, trata-se de bilhões de dólares americanos e é nesse momento em que o dólar enfrentará muitas dificuldades e com ele a crise dos alimentos tomar proporções geométricas.
