Terrorismo financeiro

Gosto que os meus leitores sempre encontrem nos meus artigos um diferencial de aprendizagem, então para aumentar os nossos conhecimentos em economia, temos que entender que a economia financeira é o ramo da economia que estuda a alocação e distribuição de recursos econômicos, em um ambiente incerto.

Para simplificar, a economia financeira nada mais é do que a economia real. A economia financeira é inimiga da economia real. La economia financeira, por exemplo, tem o poder de valorizar ou desvalorizar uma plantação anos antes de ter sido plantada.

O terrorista financeiro ou o Bankster, despudorado por natureza, pode comprar uma safra inexistente e vende-la para Dora que a venderá para Marcos, que a vendera para Cléa, que a venderá para Paulo. Nem sequer desconfiam que o terrorista financeiro pode fazer com que ao longo deste processo o preço da safra imaginária aumente de preço, mas também pode, por inúmeras razões,  fazê-la baixar de preço, amparado pelas leis do estado que são as leis da economia financeira  a serviço do estado.

No caso de baixar muito de preço é melhor não plantá-la, mas nesse caso Dora, Marcos, Cléa e Paulo estarão endividados e poderão ao igual que o ladrão de galinhas irem presos, aqui no país do futuro (ou será faturo?), ou em qualquer lugar do planeta. É de estes sintomas que a economia financeira cuida.

O terrorista financeiro descaracteriza o lado pessoal de qualquer transação e a torna impessoal, apenas um tabuleiro do jogo especulativo apoiado pelos governos do planeta. Os terroristas financeiros ficam impunes porque existem grupos da mídia que tornam legítimos os seus movimentos especulativos, inclusive muitos deles se candidatam a cargos públicos e até ganham as eleições.

Caros leitores, a economia financeira não se conforma com a mais valia do capitalismo tradicional, ela quer mais, ela quer o nosso sangue. Por essa razão a saúde pública, a educação e a justiça também estão em jogo.

Lula: de jornaleiro a jornalista do New York Times

Recebi com descredito a notícia sobre a coluna de Lula no New York Times. Muito extranho, por tratar-se de uma pessoa que  nunca teve o hábito de ler jornais. “Felomenal” ser indicado para ser colunista de um jornal de prestígio mundial. Neste caso apenas frutos que a presidência ainda rende.

Lembro que quando Lula era presidente assinava uma coluna semanal publicada em jornais brasileiros. O nome da coluna era “O presidente responde”. Nunca acreditei na capacidade lítero-jornalística de Lula. Os artigos que “ele” escrevia, ou melhor, um dos seus enviados escrevia eram banais e caíam rapidamente no esquecimento.

Lula não teve tanta sorte e cresceu à margem de uma cultura letrada e assim permaneceu até os dias de hoje. Oportunidades não faltaram, mas ele preferiu sempre desculpar-se dizendo que nunca teve oportunidades de estudar.

Michael Greenspon, diretor-geral da divisão de serviços noticiosos do New York Times deve estar louco, assessores deste debiloide asseguram que a coluna não será publicada na versão impressa do New York Times. Por enquanto apenas em veículos que pagam pelo direito de uso dos artigos distribuídos pelo jornal.

Irônico, porque foi o New York Times através do seu colunista Larry Rohter  quem tentou difamar Lula escrevendo um artigo em que criticava o seu apetite voraz pelo álcool. Afirmou ainda aquele jornalista que Lula sofreu por causa de bebida várias crises e escândalos de corrupção, até mesmo fracassos de importantes programas sociais.

Em Windhoek, capital da Namíbia, por exemplo, Lula disse que aquela cidade não parecia estar na África, porque era muito limpa. Mas certamente, em outra ocasião, tinha tomado todas quando chamou o presidente da General Motors de presidente da Mercedes-benz. Foi aconselhado a parar de beber, mas não ouviu, e em outra aparição em público imitou o sotaque Sírio-Libanes.

O Lula é um apedeuta, mas também a mim me diverte. Para ser sincero estou saudoso do tempo em que ele prometia visitar Grã- Bretanha, Inglaterra e Reino Unido.

Somos inflacionistas por natureza

Platão viveu as inflações do mundo helênico, as suas idéias ao respeito do combate à inflação ficaram fortalecidas depois da sua viagem a Siracusa, 387 a.C, mas somente décadas depois percebeu que as suas idéias tinham ido longe demais. O seu discípulo Aristóteles também lutou firmemente contra a inflação e batalhou por uma moeda conversível em todo lugar. Platão e Aristóteles condenariam a economia brasileira montada sobre vários indexadoresl, mas aplaudiriam o regime de metas de inflação  até se dar conta que existem variáveis que não podem ser controladas facilmente.

Se o ambiente econômico, por definição, não é estruturado, se os agentes econômicos têm uma visão imperfeita sobre a economia; se não há estatísticas confiáveis sobre o comportamento das variáveis econômicas; se é impossível predeterminar o valor dos índices de preços porque estes podem elevar-se acima do máximo previsto devido a um aumento do preço do petróleo ou por ocorrência de uma seca, uma inundação, uma geada, e também porque os índices de preços dependem do comportamento das pessoas que ninguém pode controlar. Como ter nessas condições um regime de metas de inflação confiável?

O regime de metas de inflação foi adotado no Brasil em 1999, com o objetivo de disciplinar a política monetária. Devido à inexperiência com esse tipo de controle enfrentamos situações difíceis ao operar as expectativas da inflação. Não bastava que esse regime tivesse funcionado bem em Israel, na Inglaterra, Austrália etc. Era necessário fazer ajustes para adaptar-se melhor à realidade do País. Um desses ajustes seria acabar com os indexadores da economia que continuam por lá simplesmente por descuido, falta de interesse e até por conveniência de alguns agentes econômicos.

Esperava-se que depois de certo tempo, quando o regime de metas de inflação ganhasse alguma credibilidade, os agentes econômicos iriam todos convergir nas suas expectativas de inflação. Faltou o comprometimento do governo e seu conjunto de instituições com a sua política fiscal; o comprometimento da sociedade através dos seus organismos, sindicatos, empresários, trabalhadores; além do comprometimento do Banco Central com a sua política monetária para que todos conjuntamente tomassem decisões em comum acordo.

Nas últimas semanas o aumento do preço do petróleo afetou toda a cadeia produtiva, todos os preços foram afetados e tivemos uma elevação geral no nível de preços, mas não um fenômeno inflacionário, porque não se caracterizou uma continuidade no aumento de preços, fator essencial para justificar uma inflação, apenas houve uma acomodação de preços.

Significa dizer que pode haver variações de índices sem haver inflação. Isso poderia provocar um desvio da meta de inflação, mas aumentar a taxa de juros não seria correto, porque não há pressões inflacionárias. Um aumento da taxa de juros nesse momento só faz destruir o bem-estar.

Se não temos um diagnóstico exato do que provoca o aumento dos índices de preços, mas sabemos que o importante é manter os índices constantes, a inflação e a taxa de juros, nessas condições, são apenas um assunto acadêmico.

Mas, para o homem comum brasileiro um aumento irrisório de preços é um perigo, sente-se ameaçado pela inflação e acha que tem em excesso uma coisa que lhe falta. Para não ficar por baixo este homem comum também aumenta os preços dos produtos que ele comercializa, porque tem medo de voltar à época em que 100 mil cruzeiros de maminha o entregador enfiava por baixo da porta.

O petróleo novamente põe em risco a economia mundial.

É normal que o mundo se preocupe com a instabilidade política e social pela qual passa o oriente médio. A razão é muito obvia, porque o oriente médio e o norte da África produzem mais do que a terceira parte do petróleo mundial.

Os conflitos na Líbia têm reduzido drasticamente a produção de petróleo, entre outros motivos porque os trabalhadores têm fugido do país depois que o ocidente determinou uma zona de exclusão aérea.

Uma redução na produção do petróleo fará com que os preços aumentem exponencialmente, isso elevaria os índices inflacionários e provocaria uma restrição monetária capaz de estrangular qualquer economia.

A boa noticia é que o conflito na Líbia tem reduzido a produção petrolífera mundial em apenas 1%. O mercado petrolífero vive outra realidade, diferente da vivida na crise de petróleo de 1973. Atualmente o mercado petrolífero conta com muitas reservas. Arábia Saudita conta com uma capacidade de produção que poderá facilmente substituir a Líbia e outros pequenos produtores.

A má noticia é que a Arábia Saudita apresenta um perfil social parecido com os países que hoje apresentam instabilidade social e política. Basta dizer que Arábia Saudita tem milhões de jovens sem emprego e sem nenhuma perspectiva de melhora. É muito perigoso que a instabilidade política e social se traduza em conflitos, levantes, enfrentamentos e até em guerra civil.

A Arábia Saudita não terá a capacidade para atender o crescimento da economia mundial porque a demanda pelo petróleo cresce a uma velocidade muito maior do que os incrementos na oferta. Contudo, é bom considerar que a economia mundial atualmente é menos vulnerável a um aumento de petróleo do que no passado.

Economia menos vulnerável não significa que não está isenta de sofrer alguns revezes econômico-financeiros. O petróleo mais caro, por exemplo, implicaria numa maior transferência de renda para os produtores e como estes últimos possuem uma maior propensão a poupar gera-se uma queda na demanda global.

Se a economia mundial cresce atualmente a uma taxa de 4,5% o preço de petróleo teria que subir acima de $ 150 dólares por barril ou mais, porque um aumento menor teria implicações no crescimento e aumentaria os índices inflacionários.

Nos países emergentes como o Brasil, China e Índia um aumento de petróleo aumentaria a inflação manifestada através do aumento do preço dos alimentos que representam ainda uma boa parcela do gasto da população. Muitos governos, de países emergentes e até do oriente médio tem subsidiado o petróleo e os alimentos numa tentativa de aplacar a insatisfação e o descontentamento da população e hoje se encontram em um circulo vicioso; a um aumento do petróleo corresponde uma incerteza política.

Chegou o momento de o mundo reconhecer a sua vulnerabilidade ao petróleo e ao oriente médio e investir maciçamente em outras energias alternativas.

Por trás do ataque ao euro e o desmantelamento da União Européia.

Os Estados Unidos de forma estratégica induziram a união européia a trabalhar contra se mesma para se desestabilizar. Esta não é apenas uma guerra econômica, é o início de uma mudança radical em nível de geopolítica.

Os bancos franceses teriam algo em torno de 50.000 milhões de dívida com a Grécia e Alemanha mais ou menos 28.000 milhões, mas as autoridades européias em vez de saldar dívidas com a Grécia preferiram proteger o euro.  

Quem paga a crise são os trabalhadores europeus e dessa forma há transferência de dinheiro para as instituições financeiras, esta iniciativa somente pode ser feita pelos mercados que tem como direcionador dessa alocação os Estados Unidos.

De outra forma, a crise do Euro estourou apenas pelo ataque que as agências de qualificação americanas Standard $ Poor’s, Moody’s e Fitch fizeram contra as dívidas da Grécia, Espanha e Portugal. O rebaixamento da categoria das inversões destes países, propositadamente, teve o aval de Paul Volker, assessor econômico do presidente Obama. Este emitiu um pronunciamento sobre uma previsível desintegração da zona do euro.

A ação ofensiva contra o euro teve como finalidade levar para Estados Unidos os capitais estrangeiros necessários para cobrir o déficit crescente da balança financeira dos EUA. Até 2009 existiam garantias de um saldo positivo para financiar o déficit. O saldo posteriormente apresentou-se de forma negativa e as alternativas mais viáveis foram: um ataque ao euro e uma luta contra a fraude fiscal aberta por Obama.

Para salvar o tio Sam seria necessária a desintegração da união européia em beneficio de uma união econômica que garanta ambos continentes. A criação de uma união transatlântica seria a solução que inclusive é apoiada pela Alemanha. A Alemanha se beneficiaria imediatamente desta mudança porque aumentaria as suas exportações fora da eurozona, além de financiar o seu déficit a um melhor preço.

A Alemanha tem saído fortificada da União Européia, por tanto ela quer mais, ela quer expandir os seus tentáculos além da EU. Em detrimento do poder aquisitivo da população da EU e está disposta a gerar uma recessão; importa a Alemanha o mercado transatlântico e o mercado mundial.

A construção Européia não interessa mais aos Estados Unidos, ela foi criada pelos Estados Unidos como uma condição depois da guerra para favorecer o Plano Marshall. Os Estados Unidos e a Alemanha tinham interesses que se complementavam, portanto, o ataque ao euro e o desmembramento da união européia são uma ofensiva lançada pelos Estados Unidos e apoiada pela Alemanha. O FMI será com certeza o tutor do desmantelamento operação.

  O euro deverá permanecer de boniteza porque a sua extinção não convêm à Alemanha nem aos Estados Unidos.

A luta do boteco da esquina contra o McDonald’s

As grandes empresas de comida rápida do mundo quando chegam à América Latina enfrentam rivais: padarias, lanchonetes e botecos pé pra – fora, quando se trata de atender o gosto do freguês. Embora a maior rede de comida rápida do mundo, o Mcdonald´s, seja um exemplo de uniformização da produção seguindo uma fórmula global, não podemos elogiar a sua qualidade depois das denúncias feitas pelo filme “Fast Food Nation”. O gigante Mcdonald´s tem se preocupado com a otimização da produção em larga escala descuidando de alguma forma a qualidade.

Mesmo descuidando da qualidade o Mcdonald´s está presente no mundo inteiro com aproximadamente 30000 lojas (75% destas lojas são franquias) e atendendo 52 milhões de pessoas em mais de 100 países, diariamente. Se você pensa que conhece o cardápio do Mcdonald´s, pode estar enganado, confira, (em nível de informação) apenas alguns itens:

INDIA

Na Índia, por exemplo, não existe o Big Mac, porque os indianos não comem carne de vaca, lá existe o Maharaja Mac feito de carne de galinha.

CANADA

No Canadá existe, entre outros, o Mclobster, feito de lagosta.

JAPÃO

O Japão saiu na frente re-inventando o Mcdonald´s, lá encontramos o Ebi-Filet (hambúrguer de camarão); também o Koroke Burger (puré de batata, couve e molho katsu).

ISRAEL

Em Israel os cheeseburger e os produtos lácteos não são servidos porque a lei judaica os proíbe.  Eles têm o McShawarma feito de carne.

NORUEGA

Eles têm o Mclaks feito de grelhados.

HONHG KONG

Em Hong Kong, existe o Rice-Burguers, o hambúrguer é servido no meio de duas fatias de arroz glutinoso em lugar do pão.

URUGUAI

No Uruguai, eles têm a McHuevo, que é um hambúrguer coberto de ovo.

CHILE

No Chile você pode enfeitar o seu Bigmac (ou Mcpollo com guacamole) com pasta de abacate. (não Ketchup).

COSTA RICA

Na Costa Rica você pede um “Gallo Pinto” que é nada mais do que feijão e arroz misturado (casamento).

 Se levarmos em conta os caprichos do freguês verificamos que a própria grandeza do Mcdonald´s o torna deficiente. Na América Latina o Mcdonald´s tem uma concorrência pulverizada com uma estratégia no nível de guerrilha urbana. A concorrência tende a crescer e o gigante está preocupado com relação ao produto personalizado.

O que acontece é que o consumidor globalizado está muito mais exigente e pedindo cada vez mais produtos personalizados. Para o atendente da lanchonete, boteco, ou padaria é indiferente colocar mostarda, cebola ou maionese num hambúrguer, ele atenderá facilmente o pedido.

Um Bigmac normal sairá em um minuto, mas se o cliente quiser um Bigmac sem nenhum ingrediente padrão, seja por implicância, gosto, restrições médicas, isso levará um bom tempo.

A produção da lanchonete, boteco ou padaria é artesanal, cada produto vem sob medida, neste caso é a oferta que se adapta ao mercado. A produção do Mcdonald´s é em série e não atende demandas individuais, está habituada a produzir em massa, neste caso o mercado se ajusta à oferta.

Na atualidade os consumidores procuram produtos cada vez mais personalizados. O fundador do Mcdonald´s Ray Kroc foi um homem visionário, resta saber se os talentosos executivos do Mcdonald´s conseguirão conciliar a produção em massa com a peculiaridade do artesanato, além de ponderar que o setor de comida rápida (informal) converge para o auto-serviço, caso queiram que o Mcdonald´s sobreviva.

 Com licença, vou comer o meu sanduba.

Os sofismas que põem em dúvida a economia

Sofisma, filosoficamente falando pode se definir como um raciocínio válido, mas inconclusivo. O sofisma tem como característica alterar propositadamente a verdade.

Hayek e Friedman foram grandes sofistas, eles foram ganhadores do premio Nobel de economia e tiveram a tarefa de desenvolver um modelo econômico que encantou todos os economistas do mundo. Incluam-me fora disso!

Para começar podemos fazer uma pequena análise sobre a soberania do consumidor. O consumidor é soberano, ou seja, ele é livre para tomar decisões sem interferências de nenhuma natureza. No Neoliberalismo as técnicas de marketing são um instrumento de controle e de persuasão das consciências dos consumidores. Dessa forma a soberania não seria dos consumidores, mas dos produtores. Como fica o sistema de formação de preços?

O neoliberalismo reconhece que os mercados são eficientes. Para fundamentar esse sofisma se entende que para alocar recursos de maneira eficiente se necessita que exista um número ilimitado de vendedores e de compradores, que todos tenham acesso de igual forma à informação e que não exista nenhuma interferência nem de caráter público nem privado. Uma condição essencial é que o intercambio seja feito entre produtos homogêneos. Isto facilita que o mercado chegue ao equilíbrio de forma automática.

Na atualidade ficou demonstrado que estas condições nunca acontecem, porque as economias modernas tendem ao monopólio. Joseph Stiglitz demonstrou que a informação é assimétrica. Hyman Minsky assinalou que os mercados financeiros são altamente instáveis e requerem uma regulação que funcionem à mesma velocidade que as inovações financeiras.

Se no funcionamento do mercado não existe plena liberdade dos consumidores, se os produtores alteram a homogeneidade dos produtos, se a informação captada pelos agentes econômicos se comporta assimetricamente, se as economias modernas tendem ao monopólio é evidente que o mercado não pode funcionar de acordo com os fundamentos da teoria do livre mercado.

 O que concluímos é que a ciência econômica terá que deixar de ter a última palavra e terá que se converter em uma ciência mais humilde.