A real causa da instabilidade do preço do petróleo

Postado em 1, politica com categorias, às Maio 28, 2008 por oscarcanas

Todos os meios de comunicação abordam o tema do aumento do petróleo, mas são poucos os que apontam o impacto da guerra do Iraque e a instabilidade na geopolítica do oriente médio como fatores principais do aumento do preço do petróleo.

 

Essa instabilidade não inclui apenas os conflitos no Afeganistão e a guerra do Iraque, mas também uma iminente e intermitente ameaça de uma invasão ao Irã. Toda vez que se torna provável uma invasão ao Irão, o preço do petróleo se eleva. Culpa-se a índia e a China pela crescente demanda de energia, mas essa observação não procede porque existe o lado compensatório, ou seja, se a Índia e a China aumentaram o consumo de energia este consumo se viu compensado pelo baixo crescimento e pela demanda reduzida de energia dos Estados Unidos.

 

A condição de continuidade na alta do preço do petróleo é preocupante numa época em que a demanda por petróleo cresce a cada dia enquanto a oferta diminui. Como o petróleo tradicionalmente tem sido comercializado em dólares americanos e o dólar está desvalorizado, os países exportadores de petróleo cobram cada vez mais dólares pelo preço do barril, num momento em que a demanda por dólares americanos decresce e a oferta de dólares aumenta.

 

A guerra do Iraque também influi indiretamente nos preços das mercadorias, grãos e outros alimentos porque o frete fica mais caro. Culpa-se a Índia e a China e outros países emergentes pela crescente demanda dos alimentos. Nem a China nem a Índia são responsáveis diretos pela desestabilização da economia global. Uma das causas da crescente demanda por alimentos e energia seria o crescimento econômico global, mais abrangente e mais prolongado como nunca se viu na história da economia moderna. Convêm lembrar que a escassez de alimentos básicos sempre acontece no final de grandes expansões globais. Os altos preços atuais dos produtos básicos são um alerta para que se adotem medidas eficazes para quando Ásia, America Latina, África e outros países emergentes comecem a querer uma fatia maior do bolo global.  

 

De imediato necessário se faz rever as políticas da produção de alimentos, a nível mundial, assim como o subsidio que os países ricos aportam para os produtores de etanol em detrimento da produção de alimentos sem importar-se com a escassez de outros recursos como água e terras.

 

O preço do petróleo e dos alimentos em alta tem contribuído para o aumento da inflação, isto tem levado vários países á estagflação, (uma mistura de estagnação e inflação), algo parecido com o que o mundo viveu em 1970. Faz-se necessário considerar que um constante aumento do preço do petróleo prejudicaria os interesses dos membros da OPEP porque isto provocaria recessão nos países importadores de petróleo. Convêm, aos países da OPEP, e ao mundo, que o Iraque seja desocupado, como uma primeira medida para o recuo do preço do petróleo.

 

Enquanto o Iraque não é desocupado, o petróleo começa a ser comercializado em moedas correntes diferentes do dólar, e em grande escala acordos de troca de petróleo são estabelecidos entre Venezuela e países da América do Sul; Japão, Irã e China, isto provocará uma maior corrosão dos petrodólares.

 

 

 

Se o petróleo deixa de ser comercializado em dólares significa que o dólar continuará a perder o status de moeda reserva. Os Estados Unidos terão poucos compradores dos seus papéis da dívida e tendo poucos investidores correriam o risco de entrar em colapso.

 

Esta crise pela qual os Estados Unidos estão passando tinha sido prevista desde o início da administração Bush. Os Estados Unidos procuraram alternativas para evitar a crise, mas a crise era inevitável. Para evitar o pior, ou seja, para não por em risco a falta de petróleo e a dificuldade de comprá-lo não tiveram alternativa a não ser invadir o Iraque. Nos últimos cinco anos a estatística da produção de petróleo iraquiano tem sido desvirtuada, os campos de petróleo e os terminais de exportação totalmente controlados.

 

No universo do petróleo cinco países são importantes: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Rússia e Venezuela e na maioria deles a legitimidade dos governos é questionável. Alguns deles usam o dinheiro do petróleo para comprar suporte político. Nessas condições o cobiçado “ouro negro” ainda será protagonista de muitas crises.  

A experiência social-democrata americana

Postado em 1 com categorias, às Maio 15, 2008 por oscarcanas

A história da filosofia ironiza e surpreende ao revelar que o melhor tratado sobre a democracia americana foi escrito pelo francês Alexis de Tocqueville (1805-1859). No seu livro “Democracy in America”, Tocqueville se posiciona contra os que estão a favor da democracia e contra os que estão contra a democracia; significa dizer que Tocqueville estava um degrau acima de qualquer suspeita partidária.

 

Estando acima de qualquer suspeita partidária o visionário Tocqueville com muita precisão profetizou: a guerra fria, e a guerra civil americana entre outras coisas. Na sua obra Tocqueville dá uma noção exata do povo americano, do seu caráter, da sua história, do seu estado social, da constituição americana, do individualismo americano, e faz um alerta para a tirania da maioria.

 

Com relação a esta última posso dizer que de fato sempre existiu o discurso de uma fatia da elite política americana que acreditou que os Estados Unidos da América foram convocados a assumir a responsabilidade da condução do mundo, resolvendo os problemas políticos que surgem em cada país, em cada continente. Ao imiscuir-se nos problemas de terceiros, impondo soluções para os problemas encontrados, sempre ajudaram a criar novos problemas e quase sempre, no final, tem que arrumar um jeito para mandar os seus soldados de volta para casa.

 

As estruturas mentais dos tempos modernos se recusam a aceitar imposições de qualquer tipo vindas, seja dos Estados Unidos, seja de qualquer outra nação. Os Estados Unidos, segundo Tocqueville, deram exemplo ao mundo por ter alcançado a democracia sem sofrer revoluções democráticas, por ter nascido iguais em vez de se tornarem iguais. Esperava-se que, por seus altos índices de igualitarismo e mobilidade social, os Estados Unidos se inclinaram pelo socialismo. Mas os Estados Unidos deixaram escapar a oportunidade social-democrata e mostraram ao mundo que são o país mais rico, mas o país mais desigual dos países ricos, seguidos pelos seus imitadores: Inglaterra, Austrália, etc.   

 

Na prática, a liberdade, o fundamento nato da democracia americana, tem sido usurpada pelos próprios americanos através dos tempos. Muitas observações escritas por Tocqueville, no século passado, são apropriadas para os Estados Unidos dos dias atuais, mas também poderiam servir para qualquer nação: “São as pessoas moderadas nos seus desejos que se envolvem na política. Grandes talentos dão as costas para o poder para buscar a riqueza”.

 

Infelizmente, foram as pessoas moderadas nos seus desejos, através dos tempos, que ditaram o rumo das nações ocidentais e as conduziram por trilhas árduas e errôneas.

Como resultado haverá nas próximas décadas novos movimentos, novas ideologias, porque, do jeito que as coisas andam, acredita-se no fracasso econômico do capitalismo.

 

Enquanto os novos movimentos não chegam acredita-se na sobrevivência do império americano, talvez não mais visto como imperador absoluto, porque a história da literatura se encarrega de esclarecer que os Estados Unidos sempre foram criticados, perseguidos, injuriados, porque ocupam a posição de grande potência. As críticas surgem da Ásia, da Europa, da América Latina, e até de dentro dos Estados Unidos.

 

Os Estados Unidos não são aceitos pelos que não tem poder. Nessas condições o conceito de poder hegemônico fica comprometido. O sociólogo alemão Werner Sombart no seu livro: “Por que não existe socialismo nos Estados Unidos? Em 1906, concluiu que as utopias socialistas fracassaram “sobre balsas de bifes e tortas de maçã”. Atualmente poderíamos dizer que as utopias capitalistas estão fracassando sobre balsas de BicMac que correm sobre rios de Coca Cola.

 

EUA: Predadores ou conciliadores do capitalismo?

Postado em politica com categorias, , , às Maio 9, 2008 por oscarcanas

Se alguém me pedisse para escrever um artigo sobre os Estados Unidos, eu perguntaria: Quer que fale bem ou quer que fale mal? Falar bem significaria ressaltar somente os pontos positivos; falar mal não significaria colocar-me numa posição antiamericanista, sou contra esse tipo de comportamento, porque fazendo isso eu estaria longe de ser autêntico. Apenas o que é preciso fazer é mostrar o que realmente está acontecendo.

 

Existe uma descaracterização no campo educacional, especificamente na ciência e tecnologia nos Estados Unidos, enquanto outras nações se apresentam fortes neste campo. A China e a Índia juntas formam anualmente aproximadamente um milhão de engenheiros ao passo que os Estados Unidos formam anualmente apenas 7% desse contingente. Há quem veja esses sinais como decadência cultural. Há quem diga que os Estados Unidos não somente perderam o interesse nas coisas básicas e até nas ciências, mas perderam também o costume de poupar e hoje se comportam como uma sociedade pós-industrial, especializada em consumo e lazer.

 

Para termos uma idéia há mais formandos em direito, educação física e esportes do que em engenharia elétrica ou qualquer outra engenharia de ponta. Tudo isto ainda não provocou um impacto redutor no crescimento do PIB americano que nos últimos vinte anos tem se mantido acima do crescimento da Alemanha, frança e Japão. Contudo, os Estados Unidos ainda lideram o mundo em produtividade, lucros, tecnologia, inovação e pesquisa. China ainda não concorre com os Estados Unidos em pé de igualdade em nenhum desses itens. Dentre as vinte melhores universidades do mundo 18 são americanas. O investimento em educação com relação ao PIB é maior do que a Europa e o Japão. Os melhores cientistas em computação se formam nas universidades americanas. Nem a china nem a Índia têm condições de criar nas próximas décadas universidades de renome. Enquanto à tecnológica, todas as nações avançadas tiveram acesso à internet, mas o Google , o Ipod, e o Iphone foram inventados nos Estados Unidos e a parceria entre universidades e a empresa privada permanece imbatível. Não há de fato país mais próspero na história moderna da humanidade do que Estados Unidos da América.

 

No aspecto demográfico, os Estados Unidos é a única nação industrializada que não terá problemas com a força de trabalho ou redução da população nas próximas décadas, graças á imigração. Para isso realmente acontecer é necessário que exista uma política, por parte do governo, que favoreça o imigrante como também será necessário que a nação americana, como um todo, mude de comportamento e pare de perseguir os imigrantes. A população da Alemanha e o Japão terão um decréscimo de 12% na sua população até 2050. A china enfrentará problemas com a grande quantidade de pessoas idosas. A política do planejamento familiar da china, que obriga cada casal a ter apenas um filho, provocará problemas sérios na população; quatro avos, mãe e pai serão sustentados por apenas um trabalhador.

 

Os Estados Unidos produziram um quarto da produção mundial durante 12 décadas. Isso mudou, porque atualmente o mundo econômico é aberto à competição, as nações estão tirando proveito desta situação, muitas delas aderiram bem ao capitalismo. Graças ás novas tecnologias e também pelo fato do mundo ter se tornado uma aldeia global, grandes contingentes de população de várias nações competem abertamente com o emprego dos americanos. A china e a Índia possuem uma oferta de mão-de-obra extremamente barata para os padrões americanos. Neste aspecto os Estados Unidos nunca poderão competir com a china e a Índia. Jamais um profissional americano se submeterá a ganhar abaixo do padrão americano.

 

Nas últimas sete décadas os Estados Unidos enfrentaram questionamentos, especulações e preocupações quanto a sua liderança no mundo. A primeira foi quando a União Soviética lançou ao espaço o seu primeiro satélite. Os Estados Unidos sentiram-se fragilizados e na década seguinte aproveitando o clamor da guerra fria, supostamente, enviaram o homem à lua.  A segunda foi nos anos 70 quando o preço do petróleo subiu assustadoramente, a recessão ameaçou, e o crescimento era relativamente baixo, levando-os a crer que a Europa e Arábia Saudita seriam as forças do futuro. Pensava-se, nessa época, num poder multipolar. A penúltima onda de especulação e preocupação foi na década de 80 quando a maioria de especialistas pensavam que o Japão seria o líder do futuro em tecnologia e economicamente.

 

Os Estados Unidos sempre estiveram atentos para reverter estes acontecimentos e sempre saíram adiante, mas um dos primeiros erros fatais que iniciaram a desmistificação do império americano foram os escândalos Enron e Anderson. A partir daí o mundo começou a captar rapidamente quão vulnerável era a nação americana. 

Atualmente existe uma nova especulação, um novo questionamento no mundo que pressupõe que o dólar fraco é um sinal de decadência. O historiador francês Emmanuel Todd diz que a “queda do dólar não seria a causa, mas uma revelação do declínio americano”, essa posição seria um fator de preocupação, mesmo o mundo sabendo que os franceses são reconhecidamente antiamericanistas.

 

Emmanuel Todd diz ainda que os Estados Unidos tornaram-se predadores e um fator que desordena o mundo, tanto Militar como economicamente, e arremata: “O estado americano sempre foi predador, mas também sempre manteve a ordem mundial, hoje continua predador, más exerce uma ação de desestabilização do capitalismo o que é inaceitável pelas classes dirigentes européias e de outros países industrializados”.

 

Os problemas que os Estados Unidos enfrentam requerem soluções drásticas, o país está à beira da bancarrota, a taxa de poupança é zero, os empréstimos tomados do exterior beiram os 80% da poupança mundial, sem falar nos déficits que enfrentam há algum tempo. Apesar desse quadro assustador nenhum desses problemas é sinal de decadência, tudo isso é apenas o reflexo de uma política governista mal elaborada que para ser corrigida necessitaria de medidas duras e impopulares que resultem numa política inovadora que permita criar novas indústrias, novas tecnologias, novos empregos, novas estratégias, como foi no passado. É bem provável que esta seja mais uma onda de preocupação e especulação quanto à liderança americana no mundo. É bem provável que o rumo seja corrigido rapidamente. Quanto a mim, quero voltar para os Estados Unidos de 1950.

A CRISE DOS ALIMENTOS

Postado em 1, Economia com categorias, , às Maio 4, 2008 por oscarcanas

Da mesma forma que a última crise financeira mostrou ao mundo a sua nova face, desafiando até mesmo os idealizadores da moderna arquitetura financeira mundial, assim, a crise de alimentos ou propriamente a fome mostra a sua nova face ao mundo.

 

A crise de alimentos é um assunto delicado, porque se há algo que colocaria seriamente em risco, de maneira rápida, a paz do mundo é a escassez de alimentos. Os preços dos alimentos, milho, trigo, arroz, têm dobrado nos últimos anos. Como resultados desse aumento registraram-se inúmeros protestos de rua em várias partes do mundo: No Paquistão, no Senegal, na Mauritânia, na Índia, no Iêmen, no México, no Haiti, etc. Protestos oficiais ao redor do mundo também proliferaram nas últimas semanas. Resta saber até que ponto os protestos de rua poderão ser controlados pelos governos, porque sabemos que reverter os preços dos alimentos não é tarefa fácil nem de curto prazo. Segundo o Banco Mundial o aumento do preço dos alimentos não é um fenômeno passageiro, mas irá persistir por vários anos.

 

Em muitas nações como na próspera china, na índia e alguns países da América Latina o crescimento da renda das pessoas permitiu um incremento no consumo de alimentos de uma forma geral e particularmente do consumo da carne que por sua vez gerou um incremento na demanda de grãos para alimentar os animais, o que também contribuiu para o aumento do preço dos grãos.

 

Por outro lado, a alta no preço do barril de petróleo provocou um aumento nos fertilizantes, no custo do transporte dos alimentos, e no custo de produção de alimentos; sem falar nos sérios danos provocados ás plantações pelas secas, inundações, ciclones, calor, frio. Nos países pobres a baixa produtividade da agricultura é resultado do difícil acesso às sementes, à irrigação e aos fertilizantes.  Todos esses fatores têm contribuído para o aumento dos preços dos alimentos.

 

Existe outro fator que tem contribuído para a queda na produção de alimentos: a produção de grãos para a fabricação de biocombustíveis. Este ramo da agricultura, na Europa e nos Estados Unidos, tem levado milhares de fazendeiros a aderir ao generoso programa de subsídios para a produção do etanol. A súbita elevação dos preços dos grãos tem como bode expiatório a fabricação do biocombustível, que como vimos anteriormente não é a principal causa da elevação do preço dos grãos.

 

A produção de biocombustíveis VS a produção de alimentos não é um assunto que preocupa ao Brasil, pelo menos por enquanto. O Brasil em particular não deixa de produzir alimentos para produzir o etanol que é produzido da cana de açúcar, embora cresça a cada ano o percentual da produção de etanol. A área plantada de cana de açúcar no Brasil corresponde a aproximadamente sete milhões de hectares, apenas 2,5 % da área cultivável. É bom lembrar que o etanol produzido da cana de açúcar é um etanol superior ao etanol produzido de grãos.

 

O lado positivo da produção de biocombustíveis é que viabiliza a produção de uma energia segura, não poluente, e contribui para diminuir o aquecimento global, se bem que por outro lado encoraja o desmatamento.

 

Devido à crise alguns países mais cautelosos suspenderam a exportação de grãos para poder garantir o consumo interno, mas nem mesmo estes países estão livres dos especuladores que aceleram o crescimento dos preços.

 

O aumento do preço dos alimentos pode trazer benefícios aos países ricos, levando a sua população a melhorar os hábitos alimentícios, uma vez que nestas nações encontram-se grandes contingentes de pessoas gordas, ao passo que pode trazer prejuízo para as nações pobres onde existem grandes contingentes de pessoas mal nutridas.

 

Da mesma forma que está acontecendo com a crise dos alimentos assim poderá acontecer com a energia e com a água. Mas as nações podem evitar as próximas crises desenvolvendo políticas energéticas e ambientalistas que garantam um desenvolvimento sustentável para garantir a segurança mundial e o crescimento econômico. Afinal, a crise de alimentos além de servir como um alerta serve também para criar alternativas, outras oportunidades.

Um olhar sobre a crise financeira internacional

Postado em Economia com categorias, , , , , , às Maio 1, 2008 por oscarcanas

A taxa de juros praticada pelos mercados financeiros internacionais, nos últimos anos tem sido relativamente baixa, razão pela qual os bancos americanos ao perceberem que a geração operacional ficava cada vez mais reduzida passaram a conceder empréstimos mais arriscados, cobrando um taxa de juros maior, aumentando o número de operações para compensar o prejuízo na margem de lucro.  Ofereceram dinheiro, a juros altos, a pessoas que não tinham emprego fixo, nem renda, nem propriedades. O objetivo dos bancos era aproveitar o boom imobiliário e ofereceram hipotecas supervalorizadas, porque os imóveis em pouco tempo estariam valendo mais do que o valor do empréstimo. Esse tipo de hipotecas é conhecido como HIPOTECAS SUBPRIME, que tem a característica de serem hipotecas com alto risco de inadimplência. Como a economia americana caminhava bem, não haveria muito risco de algum devedor ficar por muito tempo inadimplente, logo conseguiria emprego e logo voltaria a pagar a dívida. Ninguém sabe o que estariam pensando os analistas financeiros ao operar desta maneira, sem ter sequer um plano de contingência, caso algo viesse a dar errado. Ninguém pensou nisso e os bancos continuaram a dar empréstimos. Em certo momento o dinheiro dos bancos acabou e estes tiveram que recorrer a outros bancos no exterior. Os bancos estrangeiros, por sua vez, concederam empréstimos aos bancos americanos confiando na importância e integridade dos bancos americanos. Os bancos americanos continuaram a conceder empréstimos e em determinado momento estouram o percentual de capital sobre o Ativo, obrigação determinada pelas normas de Basilea que exige que o capital de um banco não seja inferior a um determinado percentual do ativo; descumprindo dessa forma as normas de Basilea.   Para cumprir as normas de Basilea os bancos inventaram as MBS (Mortgage Backed Securities), obrigações garantidas por hipotecas. Nesta modalidade os bancos agruparam as hipotecas de nenhum risco de inadimplência juntamente com as de alto risco de inadimplência, formando pacotes com os dois tipos de hipotecas para serem vendidas no mercado financeiro. Os bancos criaram Trust ou Fundos que compraram esses títulos. Estas entidades criadas pelos bancos não tem obrigação de consolidar os balanços juntamente com os bancos e no balanço destas entidades aparece no Ativo Passivo o valor dos títulos por eles comprados. O dinheiro obtido com as vendas desses títulos vai para o Ativo dos bancos, para a conta de dinheiro em caixa, cumprindo dessa forma as normas de Basilea O mercado financeiro internacional acredita num determinado momento que há expansão dos investimentos, mas não é nada disso.   O dinheiro para comprar as hipotecas vem de créditos de outros bancos, de bancos de investimento, de sociedades de capital de risco, seguradoras, e outras sociedades. A bola de neve está crescendo! Estas instituições para poder operar no mercado financeiro sem problemas teriam que ser avaliadas e qualificadas por uma agência de RATING que tem a função de qualificar em função da credibilidade da instituição. As agências de RATING passaram a dar nomes sofisticados às qualificações: INVESTMENTE GRADE aos MBS que representam baixo risco de inadimplência; MEZZANINE aos MBS intermediários e EQUITY aos MBS com alto risco de inadimplência. Alguns bancos conseguiram das agências de Rating uma re-qualificação dos MBS e nessa re-estruturação aparecem os MBS duvidosos divididos em Bons, regulares e ruins.  Se ninguém paga pelos MBS ruins, mas pagam alguma coisa pelos MBS regulares e bastante pelos MBS considerados bons, estes últimos são catalogados como MBS do tipo AAA, ou seja, muito bons. Posteriormente os MBS foram rebatizados como obrigações da dívida colateralizada, CDO. Posteriormente foi criado outro produto chamado CDS (Credit default swaps). Por estes o comprador assumia o risco de inadimplência, mas cobrava uma taxa de juros mais elevada caso os vende-se. Posteriormente foi criado o SINTHETIC CDO. Os compradores destes títulos pagavam um preço baixo por eles, as diferenças entre o preço pago por esses títulos e o alto rendimento obtido da sua venda faziam esta operação rentável. No início de 2007 os preços dos imóveis norte-americanos desabaram e os consumidores se deram conta que estavam pagando mais do que o verdadeiro valor do imóvel. Ninguém mais comprou MBS, CDO, CDS, SINTHETYCS e aqueles que os possuíam não puderam vendê-los. Em determinado momento os bancos se encontram sem dinheiro e começam a vender as suas participações em empresas, a vender os seus imóveis. O aperto monetário é grande e o consumidor passa a gastar menos. O fabricante ao perceber a queda nas vendas começa a demitir empregados e a crise está instalada. As autoridades financeiras, os conselhos de administração, as agências de Rating, todos, tem uma grande responsabilidade com relação a esta crise. Esse comportamento das autoridades financeiras provocou a falta de confiabilidade no mercado financeiro internacional. Os Bancos Centrais estão injetando liquidez monetária para que os bancos saiam dessa crise, há dinheiro, mas falta confiança. A crise se agrava pela falta de confiança. O Fed americano há jorrado muito dinheiro par conter a crise, mas essa injeção de dinheiro pode afetar a taxa de câmbio, desvalorizar o dólar ainda mais e pode elevar a inflação.  Os Fundos Soberanos de investimento criados por estados com recursos provenientes do superávit nas suas contas (leia-se países árabes, entre outros) estão comprando participações nos bancos americanos para ajudá-los a sair da crise. Muitos falam que a crise de 1929, se comparada a esta crise, é um café pequeno, mas está crise tem a sua peculiaridade: envolve o sistema financeiro internacional, ninguém conhece a dimensão do problema nem até quando isso vai permanecer, é uma crise financeira moderna.  

A luta do boteco contra o Mcdonald´s

Postado em concorrência às Maio 1, 2008 por oscarcanas

Todas as grandes empresas de comida rápida do mundo têm como rivais as padarias, as lanchonetes e botecos pé pra-fora, tratando-se de produtos para atender o gosto do freguês. Embora a maior rede de comida rápida do mundo o Mcdonald´s seja um exemplo de uniformização da produção seguindo uma fórmula global, não podemos elogiar a sua qualidade depois das denúncias feitas pelo filme “Fast Food Nation”. O gigante Mcdonald´s tem se preocupado com a otimização da produção em larga escala descuidando a qualidade.     A sua própria grandeza o torna deficiente, se for levado em conta os caprichos do freguês. Na América Latina o Mcdonald´s tem uma concorrência pulverizada com uma estratégia em nível de guerrilha urbana. A concorrência tende a crescer e o gigante está preocupado com relação ao produto personalizado. O que acontece é que o consumidor globalizado está muito mais exigente e pedindo cada vez mais produtos personalizados. Para o atendente da lanchonete, boteco, ou padaria é indiferente colocar mostarda, cebola ou maionese num hambúrguer, ele atenderá facilmente o pedido. Um bigmac normal sairá em um minuto, mas se o cliente quer um bigmac sem nenhum ingrediente padrão, seja por implicância, gosto, restrições médicas, isso levará um bom tempo. A produção da lanchonete, boteco ou padaria é artesanal, cada produto vem sob medida, neste caso é a oferta que se adapta ao mercado. A produção do Mcdonald´s é em série e não atende demandas individuais, está habituada a produzir em massa, neste caso o mercado se ajusta à oferta. Na atualidade os consumidores procuram produtos cada vez mais personalizados. Se o Mcdonald´s quiser sobreviver terá que conciliar a produção em massa com a peculiaridade do artesanato, além de considerar que o setor de comida rápida converge para o auto-serviço. Este artigo é sem gás. Você quer com gás?

Em defesa da evolução de conceitos

Postado em 1, politica com categorias, , às Abril 30, 2008 por oscarcanas

Compartilho com o professor Ian Angell, uma visão de mundo. A verdade absoluta não existe, há apenas imposições que se bem colocadas para promover o progresso social, político e econômico, serão bem sucedidas. Conceitos como direita, esquerda, em pouco tempo serão coisas do passado.

 

Muita gente se pergunta por que o governo brasileiro aceitou uma parceria, no caso da refinaria Abreu e Lima em Pernambuco, com o tirano Hugo Chávez, que à sombra do histórico ideal de Bolívar agita grupos que estão no poder no continente.

 

Rejeitar ajuda ou parcerias de governos considerados pouco democráticos não é uma amoralidade, isso é irrelevante. Rejeitar ajuda ou parceria de qualquer tipo de governo, economicamente falando, não faz o menor sentido. Talvez exista a preocupação, por parte de algumas pessoas, com a nossa imagem, tratando-se de um país como o nosso que tem alguma tradição democrática.

 

Creio que não devemos nos preocupar muito com essa questão, afinal não há moral absoluta, mas nem por isso devemos ser hipócritas. Devemos é ter consciência que muitos conceitos têm sofrido transformações; a democracia, por exemplo, tornou-se um argumento moral usado em nome de qualquer forma de intimidação das minorias, temos como resultado a incapacidade de governos democráticos em lidar com os atuais problemas.

 

Daí surge a seguinte questão: Como iremos sobreviver às ciladas impostas pela sociedade moderna? Estamos todos ansiosos e ao mesmo tempo amedrontados pelas exigências do mundo atual. Vemos que as novas tecnologias têm produzido novos perdedores e novos ganhadores, inclusive regiões atrasadas, excluídas, onde facilmente prosperará o fundamentalismo e a violência.

 

O conceito de igualdade de classes também sofreu transformação. Falar em igualdade de classes é uma tolice e uma perda de tempo, o que pressentimos é que o estado de sucesso, no futuro, será aquele que souber lidar com a desigualdade social, dando conta das transformações sociais e econômicas, sem a manutenção da política do bem social, que inevitavelmente levará qualquer governo ao fracasso. Devemos também considerar que as palavras não correspondem mais às coisas, tem significados diferentes, para épocas diferentes. O trabalho, por exemplo, não tem mais o mesmo significado que há três décadas. O caráter da crise financeira internacional pela qual passamos é diferente das outras crises já experimentadas, está última crise trouxe inovações que surpreenderam os idealizadores do complexo sistema financeiro internacional, o que estou dizendo é que está tudo em constante e rápida evolução.

 

Portanto, todas as regras foram alteradas: países de terceiro mundo poderão converter-se em países de primeiro mundo em questão de décadas, e como todo o que sobe desce, países do primeiro mundo podem tornar-se dependentes economicamente de outras nações.

 

Entre outros conceitos, o conceito de governo também está em evolução. Vai ser sempre necessário que tenhamos um governo, mas com as novas atribuições impostas pela modernidade: Força policial, forças armadas e saúde pública; sem imposição de ideologias, e sem interferir em qualquer coisa.

 

Os primeiros sinais da mudança do poder começaram a aparecer com Lech Wallesa na Polônia, Lula da Silva no Brasil, Evo Morales na Bolívia, entre outros. Outros trabalhadores talentosos chegarão ao poder nos próximos anos, serão também atuantes, inovadores e promotores da mudança do conceito de governo.  

 

A evolução do conceito de governo deverá trazer mudanças na legislação eleitoral tais como: O voto não deverá ser obrigatório; negará aos funcionários públicos o direito ao voto, porque não é correto que exista uma representação automática dos funcionários públicos.

 

Contudo, a inquietude que devemos ter é a da ausência de moral.  Fica neste artigo, proposto, aos interessados, outra maneira de pensar o mundo.

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O Tsunami Latino

Postado em politica com categorias, , às Março 2, 2008 por oscarcanas

  Os candidatos à presidência dos Estados Unidos em nenhum momento da campanha têm falado na América latina, exceto quando o tema imigração vem à tona, mas nesse caso o assunto é tratado como problema doméstico e não como assunto de relações internacionais no qual poderia ser ventilado o desenvolvimento econômico de América latina, entre outras coisas.  Esse descaso, além de mostrar falhas na estratégia da campanha política mostra a falta de interesse dos americanos por América latina o que alias é uma questão cultural. Peter Hakin, diretor do centro de estudos Dialogo Interamericano revela que América latina nunca foi alvo de atenção por parte dos Estados Unidos. O fato é que América latina nunca foi ameaça para os Estados Unidos e o caricato Hugo Chávez não passa de alguém incômodo. Uma pesquisa feita pelo Zogby Internacional revelou que a região mais importante para os americanos é o oriente médio, ficando América latina um pouco acima de África. Os republicanos não têm vez com os latinos. Os democratas podem levar a fatia dos hispânicos, mas essa pode ser uma armadilha para Barack Obama porque os latinos não votam a favor de um candidato Afro-americano por preconceito racial. Uma pesquisa de New American Media revelou que quase 50% dos hispânicos têm medo dos afro-americanos. Os hispânicos são o bloco étnico maior dos Estados Unidos é o que revelou o pesquisador John Zogby, mais precisamente os hispânicos constituem 11% dos eleitores nas eleições para presidente nos Estados Unidos. A nação americana esta prestes a ver um tsunami de votantes latinos que irão às urnas em massa, como uma reação ao crescente sentimento anti-imigratório nos Estados Unidos, desencadeado pelos apresentadores da CNN e Fox News. Obama pode reverter esse quadro aliando-se a personalidades latinas e adotando um comportamento contra os apresentadores da CNN e Fox News que abertamente lançaram uma cruzada anti-imigrante, criando uma atmosfera hostil para a comunidade hispânica, sentimento este que pode vir a crescer e ter como paralelo a propaganda anti-semita e culminar com um novo Auschwitz. Há quem diga que a aversão dos hispânicos a os afro-americanos é apenas teoria, tanto é que as primárias da Flórida refutaram essa teoria. Para Hillary Clinton o lado mulher pesou muito para os latino-americanos, que dão muito valor ao lado materno, ao lutar para manter unida a sua família durante os escândalos sexuais de Clinton em 1990. Época em que Clinton ainda tocava o saxofone, como todo negro que se preza. 

Barack Obama e eu

Postado em politica com categorias, , às Fevereiro 25, 2008 por oscarcanas

  Nas últimas semanas tenho recebido vários e-mails de Barack Obama, de David Plouffe o gerente da campanha, e de Michelle Obama. È que mesmo morando no Brasil, como cidadão do mundo que sou me engajei na campanha política de Obama, cuja plataforma de alguma forma me agrada. Prova de que o seu contingente vai além da fronteira americana. Num dos e-mails Obama disponibilizou uma linha telefônica para eu poder ligar para amigos e parentes, incitando-os a votar. Liguei para alguns amigos em Nova York e Los Angeles e para meus parentes em Boston e Miami. Com alguns parentes de Miami não tive boa acolhida; o meu cunhado não apóia Obama porque é negro. O meu cunhado nunca se preocupou em examinar sua árvore genealógica.  Que o meu cunhado não apóie Obama não é estranho, estranho é que os negros na sua maioria não o apóiam, são racistas e a sua atitude serve para pôr em evidência o preconceito racial do negro americano. Num outro e-mail David Plouffe me pede para eu fazer uma doação de $ 50 dólares, o que eu fiz com muito prazer. Se algum candidato à presidência do Brasil me pedisse uma doação eu não daria nem um tostão furado, para isso tem os dutos, os Valério-dutos ou sei lá que nome tenha a fonte inesgotável de dinheiro tupiniquim.  Os olhos do mundo estão postos em Barack Hussein Obama. Seus opositores o acusam de inexperiente, mas Bush não estava preparado para o mais alto cargo do país, com poucas qualificações carregando apenas o nome do famoso pai e os ensinamentos de James Burnham, o ideólogo que abriu caminho para a doutrina da hegemonia americana. Obama, jovem e dinâmico não traz na sua bagagem nenhum rótulo de salvador da pátria nem defensor dos negros e nem das minorias. Obama traz na sua bagagem uma interessante biografia e esperança de mudança para a sociedade americana. São muitos os desafios que Obama terá de enfrentar, caso seja eleito. Entre eles, tentar combater a ideologia dos neoconservadores que impregnaram a sociedade americana de paranóia terrorista. Mas o maior desafio está no campo econômico, com déficits gêmeos, desvalorização do dólar e ameaça de recessão. Considerando a tradição intervencionista dos Estados Unidos em virtude da grandeza econômica, política e militar, Obama estará longe de ser um pacifista, mas na pior das hipóteses será um liberal linha-dura, mas com grandes esperanças de mudanças. Hillary, Edwards, Giuliani, McCain, Romney e Huckabee são os mais cotados para tornar Barack Obama presidente. Se as minhas previsões estiverem certas o sol voltará a brilhar na América, caso contrário pode chover paca.      

Aquecimento Global: uma luta política

Postado em 1 às Fevereiro 11, 2008 por oscarcanas

A consciência generalizada convencional não quer ver que não existe paradoxo entre o progresso e a degradação das condições de vida, e que a tendência de um país que fica rico é a de acabar com abusos ambientais, isto porque, entre outras coisas, as leis de proteção ao meio ambiente se aperfeiçoam e se tornam cúmplices do próprio desenvolvimento. O processo de produção de grandes indústrias, por sua vez, é melhorado à medida que elas crescem, favorecendo de alguma forma o meio ambiente através do bom uso dos recursos naturais.  Afinal “Nada se cria nem se destrói, apenas se transforma”.  Pessoas que moram em países prósperos se tornam cada vez mais exigentes e por isso se esmeram por ter um ambiente sadio. A opinião dos ambientalistas tem sido bem absorvida pela cultura popular, solidificando a idéia de que o desenvolvimento gera necessariamente destruição da natureza. O efeito estufa não é causado pela ação humana; a pior destruição ambiental vem da própria natureza; um vulcão em erupção, por exemplo, expele mais gases de efeito estufa em uma hora que todas as indústrias de um país desenvolvido expelem em um ano.  Ambientalistas estão sempre a descobrir novas crises e são uma fonte continua de injustificados alarmes; muitos governos, cientistas, ONG`S e jornalistas podem estar perpetuando esse problema, criando uma falsa realidade. Há uma rede de interesses relacionados com os falsos alarmes ambientalistas e a luta parece ser política.  Outra crença, injustificada, que se disseminou pelas nações é a de que a chuva ácida causa prejuízos ao meio ambiente.  As chuvas ácidas, precipitações de água atmosférica (dióxido Sulfúrico e água da chuva misturada produzem o ácido sulfúrico) nunca foram perigosos, como se divulga.  Tendências naturais de aquecimento ou resfriamento sempre ocorreram no planeta.  Apesar dessa falsa divulgação, já se tem notícias de  países desenvolvidos em que a qualidade do ar tem melhorado, inclusive onde o reflorestamento tem crescido a taxas geométricas.    É claro que acidentes e procedimentos não corretos, efetuados pelo homem podem ocasionar desastres ecológicos de proporções calamitosas. Um vazamento de óleo de uma refinaria, por exemplo, pode ocasionar efeitos funestos no meio ambiente, pode prejudicar o abastecimento de água, ocasionar mortandade de peixes e privar os pescadores, de uma determinada região, de seu sustento.  A sociedade é a favor da produção de um combustível limpo como o álcool, desde que a proliferação de canaviais não prejudique a alimentação da população, como também a favor da reciclagem de materiais, que se tornou um grande negócio ambiental. O uso de pneus velhos, por exemplo, utilizados como combustível em fornos de grandes indústrias, reduze os custos e ameniza o problema ambiental.