A real causa da instabilidade do preço do petróleo
Postado em 1, politica com categoriasAdd new tag, petróleo às Maio 28, 2008 por oscarcanasTodos os meios de comunicação abordam o tema do aumento do petróleo, mas são poucos os que apontam o impacto da guerra do Iraque e a instabilidade na geopolítica do oriente médio como fatores principais do aumento do preço do petróleo.
Essa instabilidade não inclui apenas os conflitos no Afeganistão e a guerra do Iraque, mas também uma iminente e intermitente ameaça de uma invasão ao Irã. Toda vez que se torna provável uma invasão ao Irão, o preço do petróleo se eleva. Culpa-se a índia e a China pela crescente demanda de energia, mas essa observação não procede porque existe o lado compensatório, ou seja, se a Índia e a China aumentaram o consumo de energia este consumo se viu compensado pelo baixo crescimento e pela demanda reduzida de energia dos Estados Unidos.
A condição de continuidade na alta do preço do petróleo é preocupante numa época em que a demanda por petróleo cresce a cada dia enquanto a oferta diminui. Como o petróleo tradicionalmente tem sido comercializado em dólares americanos e o dólar está desvalorizado, os países exportadores de petróleo cobram cada vez mais dólares pelo preço do barril, num momento em que a demanda por dólares americanos decresce e a oferta de dólares aumenta.
A guerra do Iraque também influi indiretamente nos preços das mercadorias, grãos e outros alimentos porque o frete fica mais caro. Culpa-se a Índia e a China e outros países emergentes pela crescente demanda dos alimentos. Nem a China nem a Índia são responsáveis diretos pela desestabilização da economia global. Uma das causas da crescente demanda por alimentos e energia seria o crescimento econômico global, mais abrangente e mais prolongado como nunca se viu na história da economia moderna. Convêm lembrar que a escassez de alimentos básicos sempre acontece no final de grandes expansões globais. Os altos preços atuais dos produtos básicos são um alerta para que se adotem medidas eficazes para quando Ásia, America Latina, África e outros países emergentes comecem a querer uma fatia maior do bolo global.
De imediato necessário se faz rever as políticas da produção de alimentos, a nível mundial, assim como o subsidio que os países ricos aportam para os produtores de etanol em detrimento da produção de alimentos sem importar-se com a escassez de outros recursos como água e terras.
O preço do petróleo e dos alimentos em alta tem contribuído para o aumento da inflação, isto tem levado vários países á estagflação, (uma mistura de estagnação e inflação), algo parecido com o que o mundo viveu em 1970. Faz-se necessário considerar que um constante aumento do preço do petróleo prejudicaria os interesses dos membros da OPEP porque isto provocaria recessão nos países importadores de petróleo. Convêm, aos países da OPEP, e ao mundo, que o Iraque seja desocupado, como uma primeira medida para o recuo do preço do petróleo.
Enquanto o Iraque não é desocupado, o petróleo começa a ser comercializado em moedas correntes diferentes do dólar, e em grande escala acordos de troca de petróleo são estabelecidos entre Venezuela e países da América do Sul; Japão, Irã e China, isto provocará uma maior corrosão dos petrodólares.
Se o petróleo deixa de ser comercializado em dólares significa que o dólar continuará a perder o status de moeda reserva. Os Estados Unidos terão poucos compradores dos seus papéis da dívida e tendo poucos investidores correriam o risco de entrar em colapso.
Esta crise pela qual os Estados Unidos estão passando tinha sido prevista desde o início da administração Bush. Os Estados Unidos procuraram alternativas para evitar a crise, mas a crise era inevitável. Para evitar o pior, ou seja, para não por em risco a falta de petróleo e a dificuldade de comprá-lo não tiveram alternativa a não ser invadir o Iraque. Nos últimos cinco anos a estatística da produção de petróleo iraquiano tem sido desvirtuada, os campos de petróleo e os terminais de exportação totalmente controlados.
No universo do petróleo cinco países são importantes: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Rússia e Venezuela e na maioria deles a legitimidade dos governos é questionável. Alguns deles usam o dinheiro do petróleo para comprar suporte político. Nessas condições o cobiçado “ouro negro” ainda será protagonista de muitas crises.