Os Estados Unidos, os países latinos, e o mundo, condenaram o golpe militar em Honduras, ocorrido no Domingo 28 de junho às 5:30 da manhã. Até o presidente de Cuba, Raúl Castro condenou o golpe em Honduras, mas todos sabem que em Cuba não há eleições faz cinqüenta anos. É sabido que Zelaya cometeu vários crimes contra a constituição e outras leis. Quis fazer um referendum para mudar a constituição e permitir a sua reeleição, mas os caminhos jurídicos para puni-lo eram muitos. Não era necessário um golpe. Zelaya tinha aderido ao bloco do ALBA liderado por Hugo Chavez e estava trilhando o mesmo caminho do caudilho venezolano com vistas à reeleição e quem sabe à perpetuação no poder como outros governos que apóiam Hugo Chavez. Quando Zelaya foi deposto os países membros do ALBA emitiram um comunicado de protesto em favor de Zelaya. Estes países que apóiam Zelaya desrespeitaram a carta Democrática Interamericana de 2001 que diz respeito a um compromisso para defender e promover a democracia e principalmente quando há violações ao estado de direito de qualquer país. Donde estavam estes países quando Chávez fechou canais de televisão, usurpou o direito da livre imprensa, encarcerou líderes da oposição, mudou a constituição com o objetivo de governar indefinidamente. O presidente da Colômbia: Álvaro Uribe, que não pertence ao ALBA, também tem interesse na sua reeleição, na mudança da constituição, para poder governar quantos anos lhe convenha. O golpe militar em Honduras deve ser um alerta para as nações do continente não incorram em violações ao estado de direito como o fizeram Venezuela, Bolívia, Equador, e Honduras. Restabelecer a ordem constitucional em Honduras é necessário para recuperar a imagem da democracia desgastada em América Latina ou voltaremos para o futuro com a idéia fixa dos golpes militares que tanto castigaram América Latina. Nas próximas horas Zelaya tentará mais uma vez retornar ao poder, mas desta vez poderá desencadear, injustamente, uma guerra civil ou uma guerra na região.

George Ritzer, professor de sociologia da universidade de Maryland e autor do livro “A mcdonaldização da sociedade” surpreendem-nos com a sua teoria na qual exprime idéias que revelam de forma clara o nível de comprometimento da sociedade com o sistema de produção da cadeia de alimentos Mcdonald.

No livro Ritzer revela que o fundamental problema com este sistema é que este não precisa de pessoas criativas, seja no balcão ou nos caixas. Não necessita de um bom cozinheiro de hambúrgueres, basta que este siga o script. Este sistema, portanto, tira toda a criatividade das pessoas e torna-se desumano. A tendência é substituir pessoas robôs por robôs mecânicos.

O Mcdonald produz o que todo mundo produz, até mesmo o boteco da esquina, a diferença está em que o Mcdonald construiu o sentido do diferente com as embalagens coloridas, os palhaços, os desenhos, os bichinhos por todos os lados, criando uma falsa imagem de crianças felizes, empregados felizes, famílias felizes, mas é só no anuncio.

Ingênuos são os que pensam que a indústria de cigarros, do aço, do automóvel representa o capitalismo americano ao redor do mundo, já vai longe essa época, agora é o Mcdonald, Disney, Coca Cola.

 Portanto, no mundo todo quem entrar numa loja do Mcdonald não está apenas comprando o produto está comprando um modo de vida, o sistema, o pacote, e formando parte da América.

O processo é continuo, crianças estão nascendo dentro do sistema de Mcdonaldização, tem gente treinando, sendo iludida com os comerciais. Estas pessoas estão sendo ensinadas na maneira de comer, na maneira de como a hambúrguer tem que ser feita, o sal adequado, o gosto etc. Estas pessoas querem coisas rápidas, não tem tempo para ler jornais, querem dos professores tudo pronto, não querem construir idéias, querem diversão.

Em contraposição a estas pessoas existem dois grupos contrários à Mcdonaldização. No primeiro grupo se encontram as pessoas que nasceram antes do processo de Mcdonaldização e conhecem a diferença de outro modo de vida e aquelas pessoas que por força da sua cultura reagem ao sistema.

Mas uma vez que as pessoas que nasceram antes do processo de Mcdonaldização morrerem e outras culturas forem conquistadas restaram apenas as pessoas que fazem as coisas conforme o sistema de Mcdonaldização manda.

É obvio que o Mcdonald gasta bilhões de dólares para socializar as crianças para dentro do seu sistema, e se o Mcdonald desaparecer amanhã o processo vai continuar, não importando o nome que lhe seja dado.

O boteco da esquina ficará para a história.

A crise dos alimentos ainda não acabou apenas foi colocada em segundo plano devido às impactantes noticias sobre a crise financeira mundial.

uma das razões para compreender porque o clamor sobre a crise dos alimentos perdeu a sua força foi a redução do preço do petróleo e dos preços dos alimentos desde a metade do ano 2008.

Quando a crise dos alimentos mostrou a sua face não faltou quem dissesse que a crise era devido a mudanças no comportamento da demanda e logo encontraram dois bodes expiatórios: a China e a índia, mas a fome em ambos os países tem aumentado consideravelmente, apesar do aumento do ingresso de renda para uma parte da população, na verdade, a desigualdade social em ambos os países é assustadora.

Com o passar dos dias o argumento que defendia que variações na oferta dos alimentos eram devido ao aumento do consumo da China e da índia veio por água abaixo. O verdadeiro fator que faz variar bruscamente os alimentos e outras matérias primas é a especulação.

A crise dos alimentos continua e se deve em parte pela dificuldade que existe em ter acesso a eles, já seja porque não há dinheiro para pagar os alimentos ou porque há escassez dos mesmos.

Existem outros fatores que denunciam a existência da crise dos alimentos: crise do cultivo; falta de investimentos públicos para a pesquisa agrícola; o desequilíbrio comercial existente entre países que não tem políticas de subsídio e aqueles que se favorecem dos subsídios do governo; dificuldades no acesso ao credito agrícola; redução do poder aquisitivo na maioria da população dos países em desenvolvimento; concentração de empresas que operam a agricultura mundial e muitas vezes preferem ceder terras para a produção do etanol; secas existentes na China, Argentina, Austrália etc.

A preocupação dos governos ultimamente tem sido salvar os bancos aportando quantias fabulosas de dinheiro que nunca esteve disponível para alimentar as populações. Mais adiante os governos sentiram pressões advindas da escassez dos alimentos e se verão forçados a valorizar as suas moedas para controlar a inflação provocada pela crise dos alimentos.

A China, Rússia, Índia e outros países provavelmente irão vender as suas reservas em moeda estrangeira com a finalidade de valorizar as suas moedas e também para reduzir custos de importações. Certamente que para evitar o aumento interno dos preços dos alimentos muitos países irão vender as suas reservas em moeda estrangeira, trata-se de bilhões de dólares americanos e é nesse momento em que o dólar enfrentará muitas dificuldades e com ele a crise dos alimentos tomar proporções geométricas.

John Maynard Keynes, economista brilhante do século passado continua a brilhar no presente. Para enriquecer o pensamento econômico ele incluiu o governo como um agente legítimo capaz de corrigir distorções do mundo econômico.

 

Para deleite de muitos governos, as suas idéias são sempre aceitas, e não é por menos. Ele ensinou que era racional desperdiçar dinheiro público em obras inúteis. Abrir buracos para posteriormente ser fechados por outros trabalhadores, este exemplo não é dele, mas na sua teoria Geral ele colocou um exemplo parecido.

 

A lógica deste pensamento é usar dinheiro público para construir obras a serem destruídas para serem construídas e destruídas novamente. Isso não significa que qualquer gasto público improdutivo é justificado por esta ou aquela teoria, porque qualquer gasto público improdutivo que funcionou no passado pode ser totalmente infundado na nossa época.

 

Nem sempre os gastos públicos geram empregos, na maioria das vezes geram problemas. O mundo já foi keynesiano, com o fim do neoliberalismo voltou a ser keynesiano, o estado voltou a ter um papel importante na condução da economia.

 

No momento atual o que se espera é que a montanha de dinheiro destinado para reanimar a economia americana seja suficiente e que a ínfima quantia que está sendo gasta pelas economias emergentes seja estrategicamente bem aplicada para superar a crise econômica.

 

E os países pobres?  Vira a página!!

 

Obamamania

Julho 20, 2008

A corrida presidencial dos Estados Unidos tem sido desde o início deste ano, marcada por uma euforia do povo americano, como não se via desde os tempos de John Kennedy.

 

Os dois candidatos a presidente têm, naturalmente, as suas particularidades: Um candidato é velho tem 76 anos, o outro é jovem tem 46 anos; um é herói de guerra, o outro não; um tem uma longa trilha como senador, o outro é um novo senador; um é branco, o outro é negro; um é filho de pai africano e mãe americana, o outro procede de uma família de escoceses; um é liberal, o outro conservador; um parece ter habilidade em negociar com o inimigo, o outro parece ter como dialogo a guerra; um é excelente orador, o outro tem mais habilidade interlocutora; um tem cara de presidente dos Estados Unidos, o outro não, mas a diferença que pesa entre os dois está na raça, na idade e na ideologia.

 

O lado comum entre os candidatos é que nenhum dos dois tem experiência em negócios e entendem pouco de economia, mas ambos são produtos do meio, são inteligentes e estão bem assessorados. Os candidatos oferecem um interessante contraste aos eleitores americanos.

 

Existe uma dúvida que levita no ambiente político mundial. Os americanos votarão em um candidato negro para presidente? É claro que os americanos votarão em um candidato negro porque a sociedade americana clama por mudanças. Obama tenta tirar partido desse anseio da sociedade americana e está prometendo mudanças.

 

A certeza é que o candidato que chegar à Casa Branca em janeiro de 2009 terá que lidar com uma pobre herança econômica, política e social deixada por Bush e enfrentará uma nova arquitetura econômica global, em destaque as economias emergentes: China, índia, Brasil, Rússia. De outra forma, o novo presidente terá como primeiro desafio, no campo econômico, adotar políticas que garantam a confiança dos investidores, uma vez que a economia mundial tem alcançado altos níveis de pulverização e interdependência.

 

EXPECTATIVAS DO MUNDO

 

O mundo espera que o próximo presidente acabe com a guerra do Iraque; que reduza as políticas protecionistas e contribua para minimizar a fome dos países pobres; que adote uma postura convincente com relação ao aquecimento global e que renove os laços de amizade com os países muçulmanos.

 

A verdade é que o mundo também está eufórico, na espera de um presidente idealista e jovem, um político que levante a bandeira da democracia, com responsabilidade. Muitas pessoas tanto das nações desenvolvidas como das nações subdesenvolvidas têm a esperança que Obama trará mudanças e apostam no carisma do político negro.

 

No Oriente Médio Obama é visto com reserva, os Israelenses suspeitam que obama não possa conseguir convencer os Iranianos a desistir da sua corrida nuclear e lamentam a derrota de Hillary Clinton.

 

Na Alemanha, na Inglaterra, na França, na polônia e noutros países europeus a imprensa estampa nas suas manchetes que Obama é a pessoa que trará mudanças para América.

 

América Latina o mínimo que espera é deixar de ser o continente esquecido pelos Estados Unidos, caso Obama ganhe as eleições.

 

Até lá ficaremos na expectativa de que os anseios políticos da população mundial sejam realizados completamente.

 

Todos os meios de comunicação abordam o tema do aumento do petróleo, mas são poucos os que apontam o impacto da guerra do Iraque e a instabilidade na geopolítica do oriente médio como fatores principais do aumento do preço do petróleo.

 

Essa instabilidade não inclui apenas os conflitos no Afeganistão e a guerra do Iraque, mas também uma iminente e intermitente ameaça de uma invasão ao Irã. Toda vez que se torna provável uma invasão ao Irão, o preço do petróleo se eleva. Culpa-se a índia e a China pela crescente demanda de energia, mas essa observação não procede porque existe o lado compensatório, ou seja, se a Índia e a China aumentaram o consumo de energia este consumo se viu compensado pelo baixo crescimento e pela demanda reduzida de energia dos Estados Unidos.

 

A condição de continuidade na alta do preço do petróleo é preocupante numa época em que a demanda por petróleo cresce a cada dia enquanto a oferta diminui. Como o petróleo tradicionalmente tem sido comercializado em dólares americanos e o dólar está desvalorizado, os países exportadores de petróleo cobram cada vez mais dólares pelo preço do barril, num momento em que a demanda por dólares americanos decresce e a oferta de dólares aumenta.

 

A guerra do Iraque também influi indiretamente nos preços das mercadorias, grãos e outros alimentos porque o frete fica mais caro. Culpa-se a Índia e a China e outros países emergentes pela crescente demanda dos alimentos. Nem a China nem a Índia são responsáveis diretos pela desestabilização da economia global. Uma das causas da crescente demanda por alimentos e energia seria o crescimento econômico global, mais abrangente e mais prolongado como nunca se viu na história da economia moderna. Convêm lembrar que a escassez de alimentos básicos sempre acontece no final de grandes expansões globais. Os altos preços atuais dos produtos básicos são um alerta para que se adotem medidas eficazes para quando Ásia, America Latina, África e outros países emergentes comecem a querer uma fatia maior do bolo global.  

 

De imediato necessário se faz rever as políticas da produção de alimentos, a nível mundial, assim como o subsidio que os países ricos aportam para os produtores de etanol em detrimento da produção de alimentos sem importar-se com a escassez de outros recursos como água e terras.

 

O preço do petróleo e dos alimentos em alta tem contribuído para o aumento da inflação, isto tem levado vários países á estagflação, (uma mistura de estagnação e inflação), algo parecido com o que o mundo viveu em 1970. Faz-se necessário considerar que um constante aumento do preço do petróleo prejudicaria os interesses dos membros da OPEP porque isto provocaria recessão nos países importadores de petróleo. Convêm, aos países da OPEP, e ao mundo, que o Iraque seja desocupado, como uma primeira medida para o recuo do preço do petróleo.

 

Enquanto o Iraque não é desocupado, o petróleo começa a ser comercializado em moedas correntes diferentes do dólar, e em grande escala acordos de troca de petróleo são estabelecidos entre Venezuela e países da América do Sul; Japão, Irã e China, isto provocará uma maior corrosão dos petrodólares.

 

 

 

Se o petróleo deixa de ser comercializado em dólares significa que o dólar continuará a perder o status de moeda reserva. Os Estados Unidos terão poucos compradores dos seus papéis da dívida e tendo poucos investidores correriam o risco de entrar em colapso.

 

Esta crise pela qual os Estados Unidos estão passando tinha sido prevista desde o início da administração Bush. Os Estados Unidos procuraram alternativas para evitar a crise, mas a crise era inevitável. Para evitar o pior, ou seja, para não por em risco a falta de petróleo e a dificuldade de comprá-lo não tiveram alternativa a não ser invadir o Iraque. Nos últimos cinco anos a estatística da produção de petróleo iraquiano tem sido desvirtuada, os campos de petróleo e os terminais de exportação totalmente controlados.

 

No universo do petróleo cinco países são importantes: Arábia Saudita, Irã, Iraque, Rússia e Venezuela e na maioria deles a legitimidade dos governos é questionável. Alguns deles usam o dinheiro do petróleo para comprar suporte político. Nessas condições o cobiçado “ouro negro” ainda será protagonista de muitas crises.  

A história da filosofia ironiza e surpreende ao revelar que o melhor tratado sobre a democracia americana foi escrito pelo francês Alexis de Tocqueville (1805-1859). No seu livro “Democracy in America”, Tocqueville se posiciona contra os que estão a favor da democracia e contra os que estão contra a democracia; significa dizer que Tocqueville estava um degrau acima de qualquer suspeita partidária.

 

Estando acima de qualquer suspeita partidária o visionário Tocqueville com muita precisão profetizou: a guerra fria, e a guerra civil americana entre outras coisas. Na sua obra Tocqueville dá uma noção exata do povo americano, do seu caráter, da sua história, do seu estado social, da constituição americana, do individualismo americano, e faz um alerta para a tirania da maioria.

 

Com relação a esta última posso dizer que de fato sempre existiu o discurso de uma fatia da elite política americana que acreditou que os Estados Unidos da América foram convocados a assumir a responsabilidade da condução do mundo, resolvendo os problemas políticos que surgem em cada país, em cada continente. Ao imiscuir-se nos problemas de terceiros, impondo soluções para os problemas encontrados, sempre ajudaram a criar novos problemas e quase sempre, no final, tem que arrumar um jeito para mandar os seus soldados de volta para casa.

 

As estruturas mentais dos tempos modernos se recusam a aceitar imposições de qualquer tipo vindas, seja dos Estados Unidos, seja de qualquer outra nação. Os Estados Unidos, segundo Tocqueville, deram exemplo ao mundo por ter alcançado a democracia sem sofrer revoluções democráticas, por ter nascido iguais em vez de se tornarem iguais. Esperava-se que, por seus altos índices de igualitarismo e mobilidade social, os Estados Unidos se inclinaram pelo socialismo. Mas os Estados Unidos deixaram escapar a oportunidade social-democrata e mostraram ao mundo que são o país mais rico, mas o país mais desigual dos países ricos, seguidos pelos seus imitadores: Inglaterra, Austrália, etc.   

 

Na prática, a liberdade, o fundamento nato da democracia americana, tem sido usurpada pelos próprios americanos através dos tempos. Muitas observações escritas por Tocqueville, no século passado, são apropriadas para os Estados Unidos dos dias atuais, mas também poderiam servir para qualquer nação: “São as pessoas moderadas nos seus desejos que se envolvem na política. Grandes talentos dão as costas para o poder para buscar a riqueza”.

 

Infelizmente, foram as pessoas moderadas nos seus desejos, através dos tempos, que ditaram o rumo das nações ocidentais e as conduziram por trilhas árduas e errôneas.

Como resultado haverá nas próximas décadas novos movimentos, novas ideologias, porque, do jeito que as coisas andam, acredita-se no fracasso econômico do capitalismo.

 

Enquanto os novos movimentos não chegam acredita-se na sobrevivência do império americano, talvez não mais visto como imperador absoluto, porque a história da literatura se encarrega de esclarecer que os Estados Unidos sempre foram criticados, perseguidos, injuriados, porque ocupam a posição de grande potência. As críticas surgem da Ásia, da Europa, da América Latina, e até de dentro dos Estados Unidos.

 

Os Estados Unidos não são aceitos pelos que não tem poder. Nessas condições o conceito de poder hegemônico fica comprometido. O sociólogo alemão Werner Sombart no seu livro: “Por que não existe socialismo nos Estados Unidos? Em 1906, concluiu que as utopias socialistas fracassaram “sobre balsas de bifes e tortas de maçã”. Atualmente poderíamos dizer que as utopias capitalistas estão fracassando sobre balsas de BicMac que correm sobre rios de Coca Cola.

 

Se alguém me pedisse para escrever um artigo sobre os Estados Unidos, eu perguntaria: Quer que fale bem ou quer que fale mal? Falar bem significaria ressaltar somente os pontos positivos; falar mal não significaria colocar-me numa posição antiamericanista, sou contra esse tipo de comportamento, porque fazendo isso eu estaria longe de ser autêntico. Apenas o que é preciso fazer é mostrar o que realmente está acontecendo.

 

Existe uma descaracterização no campo educacional, especificamente na ciência e tecnologia nos Estados Unidos, enquanto outras nações se apresentam fortes neste campo. A China e a Índia juntas formam anualmente aproximadamente um milhão de engenheiros ao passo que os Estados Unidos formam anualmente apenas 7% desse contingente. Há quem veja esses sinais como decadência cultural. Há quem diga que os Estados Unidos não somente perderam o interesse nas coisas básicas e até nas ciências, mas perderam também o costume de poupar e hoje se comportam como uma sociedade pós-industrial, especializada em consumo e lazer.

 

Para termos uma idéia há mais formandos em direito, educação física e esportes do que em engenharia elétrica ou qualquer outra engenharia de ponta. Tudo isto ainda não provocou um impacto redutor no crescimento do PIB americano que nos últimos vinte anos tem se mantido acima do crescimento da Alemanha, frança e Japão. Contudo, os Estados Unidos ainda lideram o mundo em produtividade, lucros, tecnologia, inovação e pesquisa. China ainda não concorre com os Estados Unidos em pé de igualdade em nenhum desses itens. Dentre as vinte melhores universidades do mundo 18 são americanas. O investimento em educação com relação ao PIB é maior do que a Europa e o Japão. Os melhores cientistas em computação se formam nas universidades americanas. Nem a china nem a Índia têm condições de criar nas próximas décadas universidades de renome. Enquanto à tecnológica, todas as nações avançadas tiveram acesso à internet, mas o Google , o Ipod, e o Iphone foram inventados nos Estados Unidos e a parceria entre universidades e a empresa privada permanece imbatível. Não há de fato país mais próspero na história moderna da humanidade do que Estados Unidos da América.

 

No aspecto demográfico, os Estados Unidos é a única nação industrializada que não terá problemas com a força de trabalho ou redução da população nas próximas décadas, graças á imigração. Para isso realmente acontecer é necessário que exista uma política, por parte do governo, que favoreça o imigrante como também será necessário que a nação americana, como um todo, mude de comportamento e pare de perseguir os imigrantes. A população da Alemanha e o Japão terão um decréscimo de 12% na sua população até 2050. A china enfrentará problemas com a grande quantidade de pessoas idosas. A política do planejamento familiar da china, que obriga cada casal a ter apenas um filho, provocará problemas sérios na população; quatro avos, mãe e pai serão sustentados por apenas um trabalhador.

 

Os Estados Unidos produziram um quarto da produção mundial durante 12 décadas. Isso mudou, porque atualmente o mundo econômico é aberto à competição, as nações estão tirando proveito desta situação, muitas delas aderiram bem ao capitalismo. Graças ás novas tecnologias e também pelo fato do mundo ter se tornado uma aldeia global, grandes contingentes de população de várias nações competem abertamente com o emprego dos americanos. A china e a Índia possuem uma oferta de mão-de-obra extremamente barata para os padrões americanos. Neste aspecto os Estados Unidos nunca poderão competir com a china e a Índia. Jamais um profissional americano se submeterá a ganhar abaixo do padrão americano.

 

Nas últimas sete décadas os Estados Unidos enfrentaram questionamentos, especulações e preocupações quanto a sua liderança no mundo. A primeira foi quando a União Soviética lançou ao espaço o seu primeiro satélite. Os Estados Unidos sentiram-se fragilizados e na década seguinte aproveitando o clamor da guerra fria, supostamente, enviaram o homem à lua.  A segunda foi nos anos 70 quando o preço do petróleo subiu assustadoramente, a recessão ameaçou, e o crescimento era relativamente baixo, levando-os a crer que a Europa e Arábia Saudita seriam as forças do futuro. Pensava-se, nessa época, num poder multipolar. A penúltima onda de especulação e preocupação foi na década de 80 quando a maioria de especialistas pensavam que o Japão seria o líder do futuro em tecnologia e economicamente.

 

Os Estados Unidos sempre estiveram atentos para reverter estes acontecimentos e sempre saíram adiante, mas um dos primeiros erros fatais que iniciaram a desmistificação do império americano foram os escândalos Enron e Anderson. A partir daí o mundo começou a captar rapidamente quão vulnerável era a nação americana. 

Atualmente existe uma nova especulação, um novo questionamento no mundo que pressupõe que o dólar fraco é um sinal de decadência. O historiador francês Emmanuel Todd diz que a “queda do dólar não seria a causa, mas uma revelação do declínio americano”, essa posição seria um fator de preocupação, mesmo o mundo sabendo que os franceses são reconhecidamente antiamericanistas.

 

Emmanuel Todd diz ainda que os Estados Unidos tornaram-se predadores e um fator que desordena o mundo, tanto Militar como economicamente, e arremata: “O estado americano sempre foi predador, mas também sempre manteve a ordem mundial, hoje continua predador, más exerce uma ação de desestabilização do capitalismo o que é inaceitável pelas classes dirigentes européias e de outros países industrializados”.

 

Os problemas que os Estados Unidos enfrentam requerem soluções drásticas, o país está à beira da bancarrota, a taxa de poupança é zero, os empréstimos tomados do exterior beiram os 80% da poupança mundial, sem falar nos déficits que enfrentam há algum tempo. Apesar desse quadro assustador nenhum desses problemas é sinal de decadência, tudo isso é apenas o reflexo de uma política governista mal elaborada que para ser corrigida necessitaria de medidas duras e impopulares que resultem numa política inovadora que permita criar novas indústrias, novas tecnologias, novos empregos, novas estratégias, como foi no passado. É bem provável que esta seja mais uma onda de preocupação e especulação quanto à liderança americana no mundo. É bem provável que o rumo seja corrigido rapidamente. Quanto a mim, quero voltar para os Estados Unidos de 1950.

A crise dos alimentos

Maio 4, 2008

Da mesma forma que a última crise financeira mostrou ao mundo a sua nova face, desafiando até mesmo os idealizadores da moderna arquitetura financeira mundial, assim, a crise de alimentos ou propriamente a fome mostra a sua nova face ao mundo.

 

A crise de alimentos é um assunto delicado, porque se há algo que colocaria seriamente em risco, de maneira rápida, a paz do mundo é a escassez de alimentos. Os preços dos alimentos, milho, trigo, arroz, têm dobrado nos últimos anos. Como resultados desse aumento registraram-se inúmeros protestos de rua em várias partes do mundo: No Paquistão, no Senegal, na Mauritânia, na Índia, no Iêmen, no México, no Haiti, etc. Protestos oficiais ao redor do mundo também proliferaram nas últimas semanas. Resta saber até que ponto os protestos de rua poderão ser controlados pelos governos, porque sabemos que reverter os preços dos alimentos não é tarefa fácil nem de curto prazo. Segundo o Banco Mundial o aumento do preço dos alimentos não é um fenômeno passageiro, mas irá persistir por vários anos.

 

Em muitas nações como na próspera china, na índia e alguns países da América Latina o crescimento da renda das pessoas permitiu um incremento no consumo de alimentos de uma forma geral e particularmente do consumo da carne que por sua vez gerou um incremento na demanda de grãos para alimentar os animais, o que também contribuiu para o aumento do preço dos grãos.

 

Por outro lado, a alta no preço do barril de petróleo provocou um aumento nos fertilizantes, no custo do transporte dos alimentos, e no custo de produção de alimentos; sem falar nos sérios danos provocados ás plantações pelas secas, inundações, ciclones, calor, frio. Nos países pobres a baixa produtividade da agricultura é resultado do difícil acesso às sementes, à irrigação e aos fertilizantes.  Todos esses fatores têm contribuído para o aumento dos preços dos alimentos.

 

Existe outro fator que tem contribuído para a queda na produção de alimentos: a produção de grãos para a fabricação de biocombustíveis. Este ramo da agricultura, na Europa e nos Estados Unidos, tem levado milhares de fazendeiros a aderir ao generoso programa de subsídios para a produção do etanol. A súbita elevação dos preços dos grãos tem como bode expiatório a fabricação do biocombustível, que como vimos anteriormente não é a principal causa da elevação do preço dos grãos.

 

A produção de biocombustíveis VS a produção de alimentos não é um assunto que preocupa ao Brasil, pelo menos por enquanto. O Brasil em particular não deixa de produzir alimentos para produzir o etanol que é produzido da cana de açúcar, embora cresça a cada ano o percentual da produção de etanol. A área plantada de cana de açúcar no Brasil corresponde a aproximadamente sete milhões de hectares, apenas 2,5 % da área cultivável. É bom lembrar que o etanol produzido da cana de açúcar é um etanol superior ao etanol produzido de grãos.

 

O lado positivo da produção de biocombustíveis é que viabiliza a produção de uma energia segura, não poluente, e contribui para diminuir o aquecimento global, se bem que por outro lado encoraja o desmatamento.

 

Devido à crise alguns países mais cautelosos suspenderam a exportação de grãos para poder garantir o consumo interno, mas nem mesmo estes países estão livres dos especuladores que aceleram o crescimento dos preços.

 

O aumento do preço dos alimentos pode trazer benefícios aos países ricos, levando a sua população a melhorar os hábitos alimentícios, uma vez que nestas nações encontram-se grandes contingentes de pessoas gordas, ao passo que pode trazer prejuízo para as nações pobres onde existem grandes contingentes de pessoas mal nutridas.

 

Da mesma forma que está acontecendo com a crise dos alimentos assim poderá acontecer com a energia e com a água. Mas as nações podem evitar as próximas crises desenvolvendo políticas energéticas e ambientalistas que garantam um desenvolvimento sustentável para garantir a segurança mundial e o crescimento econômico. Afinal, a crise de alimentos além de servir como um alerta serve também para criar alternativas, outras oportunidades.

A taxa de juros praticada pelos mercados financeiros internacionais, nos últimos anos tem sido relativamente baixa, razão pela qual os bancos americanos ao perceberem que a geração operacional ficava cada vez mais reduzida passaram a conceder empréstimos mais arriscados, cobrando um taxa de juros maior, aumentando o número de operações para compensar o prejuízo na margem de lucro.  Ofereceram dinheiro, a juros altos, a pessoas que não tinham emprego fixo, nem renda, nem propriedades. O objetivo dos bancos era aproveitar o boom imobiliário e ofereceram hipotecas supervalorizadas, porque os imóveis em pouco tempo estariam valendo mais do que o valor do empréstimo. Esse tipo de hipotecas é conhecido como HIPOTECAS SUBPRIME, que tem a característica de serem hipotecas com alto risco de inadimplência. Como a economia americana caminhava bem, não haveria muito risco de algum devedor ficar por muito tempo inadimplente, logo conseguiria emprego e logo voltaria a pagar a dívida. Ninguém sabe o que estariam pensando os analistas financeiros ao operar desta maneira, sem ter sequer um plano de contingência, caso algo viesse a dar errado. Ninguém pensou nisso e os bancos continuaram a dar empréstimos. Em certo momento o dinheiro dos bancos acabou e estes tiveram que recorrer a outros bancos no exterior. Os bancos estrangeiros, por sua vez, concederam empréstimos aos bancos americanos confiando na importância e integridade dos bancos americanos. Os bancos americanos continuaram a conceder empréstimos e em determinado momento estouram o percentual de capital sobre o Ativo, obrigação determinada pelas normas de Basilea que exige que o capital de um banco não seja inferior a um determinado percentual do ativo; descumprindo dessa forma as normas de Basilea.   Para cumprir as normas de Basilea os bancos inventaram as MBS (Mortgage Backed Securities), obrigações garantidas por hipotecas. Nesta modalidade os bancos agruparam as hipotecas de nenhum risco de inadimplência juntamente com as de alto risco de inadimplência, formando pacotes com os dois tipos de hipotecas para serem vendidas no mercado financeiro. Os bancos criaram Trust ou Fundos que compraram esses títulos. Estas entidades criadas pelos bancos não tem obrigação de consolidar os balanços juntamente com os bancos e no balanço destas entidades aparece no Ativo Passivo o valor dos títulos por eles comprados. O dinheiro obtido com as vendas desses títulos vai para o Ativo dos bancos, para a conta de dinheiro em caixa, cumprindo dessa forma as normas de Basilea O mercado financeiro internacional acredita num determinado momento que há expansão dos investimentos, mas não é nada disso.   O dinheiro para comprar as hipotecas vem de créditos de outros bancos, de bancos de investimento, de sociedades de capital de risco, seguradoras, e outras sociedades. A bola de neve está crescendo! Estas instituições para poder operar no mercado financeiro sem problemas teriam que ser avaliadas e qualificadas por uma agência de RATING que tem a função de qualificar em função da credibilidade da instituição. As agências de RATING passaram a dar nomes sofisticados às qualificações: INVESTMENTE GRADE aos MBS que representam baixo risco de inadimplência; MEZZANINE aos MBS intermediários e EQUITY aos MBS com alto risco de inadimplência. Alguns bancos conseguiram das agências de Rating uma re-qualificação dos MBS e nessa re-estruturação aparecem os MBS duvidosos divididos em Bons, regulares e ruins.  Se ninguém paga pelos MBS ruins, mas pagam alguma coisa pelos MBS regulares e bastante pelos MBS considerados bons, estes últimos são catalogados como MBS do tipo AAA, ou seja, muito bons. Posteriormente os MBS foram rebatizados como obrigações da dívida colateralizada, CDO. Posteriormente foi criado outro produto chamado CDS (Credit default swaps). Por estes o comprador assumia o risco de inadimplência, mas cobrava uma taxa de juros mais elevada caso os vende-se. Posteriormente foi criado o SINTHETIC CDO. Os compradores destes títulos pagavam um preço baixo por eles, as diferenças entre o preço pago por esses títulos e o alto rendimento obtido da sua venda faziam esta operação rentável. No início de 2007 os preços dos imóveis norte-americanos desabaram e os consumidores se deram conta que estavam pagando mais do que o verdadeiro valor do imóvel. Ninguém mais comprou MBS, CDO, CDS, SINTHETYCS e aqueles que os possuíam não puderam vendê-los. Em determinado momento os bancos se encontram sem dinheiro e começam a vender as suas participações em empresas, a vender os seus imóveis. O aperto monetário é grande e o consumidor passa a gastar menos. O fabricante ao perceber a queda nas vendas começa a demitir empregados e a crise está instalada. As autoridades financeiras, os conselhos de administração, as agências de Rating, todos, tem uma grande responsabilidade com relação a esta crise. Esse comportamento das autoridades financeiras provocou a falta de confiabilidade no mercado financeiro internacional. Os Bancos Centrais estão injetando liquidez monetária para que os bancos saiam dessa crise, há dinheiro, mas falta confiança. A crise se agrava pela falta de confiança. O Fed americano há jorrado muito dinheiro par conter a crise, mas essa injeção de dinheiro pode afetar a taxa de câmbio, desvalorizar o dólar ainda mais e pode elevar a inflação.  Os Fundos Soberanos de investimento criados por estados com recursos provenientes do superávit nas suas contas (leia-se países árabes, entre outros) estão comprando participações nos bancos americanos para ajudá-los a sair da crise. Muitos falam que a crise de 1929, se comparada a esta crise, é um café pequeno, mas está crise tem a sua peculiaridade: envolve o sistema financeiro internacional, ninguém conhece a dimensão do problema nem até quando isso vai permanecer, é uma crise financeira moderna.